7 passos para gerenciar objetivos pessoais

Tempo de leitura: 6 minutos

Mais um ano começou? Você está mudando de carreira? Foi demitido? Está mudando de cidade? Seja lá qual for o motivo, um período de mudanças acaba sendo um período para dar uma pausa, refletir e colocar novas metas no papel (se você não tem o hábito de escrever suas metas, este texto talvez não seja para você. Sugiro colocar seus planos no papel com calma e só então voltar à leitura).

Partindo do pressuposto que você tem um plano de ação, com objetivos definidos e que está trabalhando para torná-los realidade, eu tenho uma pergunta: como você faz para mensurar sua caminhada em direção à realização de suas metas? Na minha recente trajetória como coach tenho visto três comportamentos negativos bem comuns.

O primeiro comportamento é o já mencionado: pessoas que não escrevem suas metas e por isso tendem a ter um baixo nível de comprometimento em relação a elas.

Depois, há aquelas que escrevem suas metas, mas não adotam nenhuma atitude posterior de acompanhamento e gestão dos próprios objetivos. A consequência desse comportamento é o esquecimento gradual dos compromissos que você assumiu consigo. As metas ficam lá, escritas na agenda, no e-mail, num arquivo de word e acabam virando uma vaga lembrança. Daí é aquela coisa: planejamento sem ações posteriores é apenas desperdício de energia e autoenganação.

Existem ainda os que sucumbem às modas dos gurus de produtividade e começam a adotar todo tipo de ritual, aplicativos, métodos de gestão do tempo, etc. Como diriam os Titãs, “tudo ao mesmo tempo agora”. Resultado: uma overdose de informações; cansaço mental; perda de foco (por estarem mais preocupados com os métodos de gerenciamento de produtividade do que em produzir e fazer o que tem que ser feito) e uma frustração por se achar inferior (se o guru e seus seguidores dizem que conseguem, talvez eu seja um perdedor por não conseguir). Sei que aqui corro o risco de ser mal interpretado, então vou explicar melhor. O problema não são os aplicativos, nem as técnicas de gestão do tempo e da produtividade, o problema é o excesso disso na sua vida. Se você é como a maioria dos brasileiros: trabalha, estuda, cuida da família e corre atrás do seu lugar ao sol, é simplesmente IMPOSSÍVEL seguir todos os hacks ensinados por quem dedica 24 horas do dia a ensinar as tais sacadas matadoras. Particularmente, incluo alguma nova técnica de produtividade ou baixo um app específico quando preciso desenvolver um novo hábito. Quero voltar a correr: o Strava me ajuda. Quero meditar? Inside Timer, Headspace e outros podem se tornar grandes aliados. Quero ter contato com um novo idioma: Duolingo na veia! Estes são só alguns exemplos de ferramentas que podem facilitar muito o nosso dia-a-dia. O conselho é: vai devagar, não adote modelos inatingíveis, entenda as opções e escolha o que faz mais sentido para você em cada momento de sua vida. Não exagere só porque é moda.

O que eu faço? Resolvi dividir aqui o que eu tenho feito nos últimos anos para gerenciar meus objetivos pessoais após perceber que existe um padrão. Veja bem, estou dividindo o que fez sentido para mim com o intuito de fomentar a troca de ideias e, quem sabe, provocar uma reflexão. O que eu faço não é regra, não é “o certo” e, em hipótese alguma, deve soar como conselho de guru. Apenas estou dividindo coisas que fizeram sentido para mim e, talvez, possam ter valor para mais alguém:

  1. Eu escrevo minhas metas em formato SMART (específico, mensurável, alcançável, relevante e temporal);
  2. Deixo-as em disponíveis para consultar a qualquer momento. Atualmente, elas estão na agenda – sim, eu ainda gosto de agenda de papel – e nas notas do meu celular;
  3. Como já disse lá em cima, uso apps para gerenciar alguma mudança de hábito mais complexa ou com um nível mais crítico de urgência/prioridade. Escolho bem quais serão os aplicativos da vez e quando eles deixam de fazer sentido, deleto;
  4. Adoto o pressuposto tomar atitudes que me aproximem da concretização das minhas metas TODOS OS DIAS;
  5. Uso um sistema bem simples e rudimentar para o acompanhamento diário das dessas atitudes, inspirado na prática do caderno da gratidão. Ok, sei que seu alarme para bullshitagem pode ter soado agora. Calma que eu explico. A prática de escrever diariamente cerca de três coisas pelas quais você foi grato no seu dia não é uma falácia da web. Existem vários pesquisadores ligados à Psicologia Positiva que já conduziram estudos sobre o tema e comprovaram a eficácia desse hábito em mais de uma década de investigações empíricas. Dentre eles, podemos citar Shawn Achor, autor de O jeito Harvard de ser feliz, Chad Burton e Laura King. A prática se fundamenta na ideia de que seu cérebro será forçado a rever as últimas 24 horas para achar os elementos positivos. Com o tempo, os pequenos aborrecimentos e problemas cotidianos vão ficando em segundo plano até se tornarem irrelevantes. O resultado é que o cérebro tende a focar nos aspectos positivos e a trabalhar constantemente em um nível de produtividade e felicidade mais elevado. Toda essa explicação foi para dizer que adaptei essa técnica e passei a focar as atitudes e fatos que me colocam mais perto das minhas metas. Desse modo, além de aumentar meu nível de gratidão, reflito diariamente sobre como estou percorrendo minha jornada. A ferramenta para anotar não importa. Pode ser agenda, Word, Evernote, etc. Escolha aquilo que for mais prático para você e que não vire uma desculpa para não fazer. Atualmente, estou usando um bloquinho de notas Molesquine. Totalmente minimalista!
  6. Mensalmente, realizo um follow up para acompanhar e refletir de uma forma mais holística sobre os passos que venho dando. Esse é o momento de celebrar o que está dando certo, corrigir rotas e até mesmo alterar ou suprimir algum objetivo que por ventura não faça mais sentido.
  7. Procuro manter tudo simples. Um livro é escrito uma página por vez, uma maratona é corrida a cada passo.

Vale a ressalva: essas não são regras absolutas, são apenas aquelas que fazem sentido para mim neste momento. Seja lá quais forem seus hábitos, seja generoso com você (não se estresse em demasia com eventuais desvios) e nunca esqueça de estar de olhos bem abertos e atento a cada passo da jornada. No fim das contas, é o caminho que importa.

E você, o que faz? Adoraria saber. Quem sabe não descubro novas abordagens. Divida comigo aí nos comentários e vamos trocar ideia.

Livro do Shawn Achor que citei rapidamente, mas recomendo demais.

3 Comentários


  1. olá Kaio
    belo texto. Gostei desta parte “é simplesmente IMPOSSÍVEL seguir todos os hacks ensinados por quem dedica 24 horas do dia a ensinar as tais sacadas matadoras” Isso eles nunca dizem 🙂 Eu parei de seguir aqueles manuais do tipo “38 dicas para gerenciar seu tempo” porque quando chegava na 15 já não lembrava da terceira. Tenho me focado em duas ou três no máximo, por exemplo, escrever as tarefas e escolher a roupa do dia seguinte um pouco antes de dormir. Só vou testar uma nova quando estas se tornarem hábito, o que ainda não aconteceu. E também escrever as metas numa folha e pendurar na parede em frente à mesa de trabalho.

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    1. Exatamente Paulo! O título que escolhi para o post tem uma pitada de ironia em relação a esse aspecto. De fato, o que importa mesmo é optar por algo que funcione para você. Cada indivíduo é único e tem seu contexto. O que funciona para um, pode não funcionar para outro. Escolher bem quais são as suas prioridades e a melhor forma de executá-las é uma decisão e uma responsabilidade pessoal e intransferível. Concordo que manter as coisas simples é sempre a melhor opção. Boa sorte na caminhada e muito obrigado pelo comentário!

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    2. Um jovem tão capaz e inteligente dividindo seus conhecimentos com todos nós. Como é enriquecedor poder segui-lo. Como é bom aprender a cada dia. Coaching é o boom do momento. É para todas as idades. É conhecimento. É aprender gerenciar nossa vida e poder transformá-la. Obrigada pelos seus ensinamentos e experiências.

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