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Há um fetiche dos tempos modernos tão popular quanto perigoso: a crença de que as grandes transformações da vida acontecem de forma repentina e são fruto de uma única decisão.


O mundo exterior enxerga e valoriza os grandes feitos e não os pequenos passos que foram dados para construí-los.


Trabalhar com pessoas me faz ver o quanto essa maneira de pensar tem gerado frustração.


O sujeito está insatisfeito com alguma aspecto de sua biografia – saúde, finanças, carreira, relacionamento, etc – e um belo dia toma a decisão de que tudo será diferente a partir daquela data.


Acreditar que “tudo vai mudar”, agora que uma decisão foi tomada, traz uma dose extra de motivação.


Afinal, grandes sucessos necessitam de grandes decisões, não é mesmo?

Não.


Em poucos dias vem a rotina, as decisões práticas, as atividades chatas, e a consciência de que os resultados vão demorar.


Nesse ponto é mais fácil se encantar por uma nova grande ideia, que na verdade é apenas uma abstração futura, do que encarar o aprimoramento diário.


Tanta gente desiste porque o ritmo da transformação é lento. Se você começar a aprender inglês hoje, não será fluente em 30 dias. Se começar a correr amanhã de manhã, você não completará os 42 km de uma maratona em três meses. Se você optar por alimentos saudáveis ao longo do dia, não verá resultados na balança à noite.


Quanto mais o tempo passa mais eu estou convicto que a evolução acontece nos pequenos e constantes progressos.


Quer ver só?


Faça uma análise das suas maiores realizações pessoais e profissionais. Aquelas poucas que definem quem somos. Me arrisco a dizer, com 99% de chance de acertar, que elas terão sido resultado de escolhas corretas, acumuladas ao longo de uma ou duas décadas de repetição e aprimoramento.


No meu caso, faz todo sentido.


Entender esse aspecto da realidade também nos ajuda a lidar com o maior dos riscos.


Quando os pequenos erros, desculpas e ausências vão sendo cometidos dia após dia, suas consequências também não aparecem imediatamente.


Deixou de estudar porque as jornadas de trabalho estão pesadas? Seu chefe irá adorar sua dedicação no curto prazo, mas talvez escolha outro profissional na hora de promover alguém. Deixou de melhorar seu produto ou serviço para focar no bom atendimento aos seus clientes atuais? Talvez eles prefiram a empresa concorrente, quando ela lançar uma solução inovadora. Deixou a família de lado para ser workaholic? Talvez você só perceba daqui a dez anos que seus filhos não te enxergam como uma referência.


Uma pequena mudança em seus hábitos diários pode direcionar sua existência para realidades muito diferentes.

Esse é um dos motivos que fazem o cultivo da disciplina ser tão difícil. As pessoas empreendem pequenas mudanças, não conseguem ver um resultado tangível rapidamente, e desistem antes de dar certo.


Sua agenda desta semana diz muito sobre a pessoa que você será no futuro. Seu eu do futuro está sendo construído pela soma das ações que você está tomando no dia de hoje.


Tem uma frase, atribuída ao Tony Robbins, que eu gosto muito:

A maioria das pessoas superestima o que realizou em um ano e subestima o que pode realizar em uma década.


Uma biografia extraordinária é construída pelo acúmulo de ações ordinárias.


Para o bem e para o mau, é assim que funciona.