Sobrenome corporativo é algo que a gente carrega quando trabalha em uma empresa estabelecida.

É inevitável ser conhecido como o “fulano da empresa tal”.

Ainda que você não queira, isso acontecerá em certa medida. Para o bem e para o mal.

Por um lado, estar associado a uma empresa conhecida abre muitas portas. A prospecção de parcerias e oportunidades é inicialmente muito mais simples. Idem para a negociação com fornecedores. O sobrenome corporativo faz suas ligações serem atendidas.  Faz você ser recebido por profissionais que estão nas capas das principais revistas de negócios.

Fiz uma longa carreira em uma grande empresa e foram muitos os momentos em que senti isso na pele. Um e-mail enviado e pronto. No dia seguinte, um executivo de outra grande empresa poderia estar em um avião para te encontrar pessoalmente, entender suas necessidades e apresentar seus serviços.

Por outro lado, o sobrenome corporativo pode te limitar. Já vi muita gente deixar o ego falar mais alto e acreditar que esse interesse era pessoal. Gente que acreditou que o motivo da atenção era apenas seu desempenho como executivo. Muita gente que excluiu da equação o interesse comercial (e legítimo) da outra parte. A perspectiva de fechar um grande contrato sempre estará no pacote.

Já vi colegas frustrados, pois mudaram de empresa ou resolveram empreender e só então perceberam o peso do sobrenome corporativo. Para eles foi difícil lidar com as portas que se fecharam quando deixaram de ser o “figurão da grande empresa” e passaram a operar no contexto de um pequeno negócio. Arrisco dizer que o apego ao status perdido foi o motivo do fracasso de alguns.

Se você pensa em mudar de carreira ou começar um negócio, há uma lição a ser aprendida (de preferência antes de sofrer as consequências do que escrevi aí em cima): você não é o seu crachá. 

Um dos meus maiores orgulhos é enxergar que a maior parte dos meus clientes e do meu network atual não está relacionado à empresa que trabalhei, e sim à reputação profissional que construí ao longo dos anos. Dá uma satisfação danada constatar, inclusive, que muita gente só me conhece como professor, autor e fundador do LabFazedores.

Olhando em retrospectiva, creio que alguns fatores fizeram a diferença para minimizar o impacto da perda do sobrenome corporativo na minha transição de carreira.

Recomendo com ênfase que você dê atenção a eles.

1 – Relações

As relações construídas ao longo do caminho são seus principais ativos. Comece e termine trabalhos deixando boas relações como legado. Isso vale para sócios, colegas de equipe, superiores, subordinados, fornecedores, acionistas, comunidade. Todo mundo é importante. O pior momento para construir seu network é quando você está precisando dele.

2 – Projetos paralelos

Projetos paralelos são uma ótima forma de ser reconhecido por suas capacidades individuais enquanto você está empregado. Vale dar aula, participar de associações de classe, fazer trabalho voluntário, começar um negócio no seu tempo livre. A questão central é desempenhar uma atividade produtiva que não esteja associada ao seu empregador.

3 – Presença digital

Construa sua presença digital. Não importa no que você trabalhe, você precisa estar online. Você; e não a empresa para a qual você trabalha.

É possível começar um blog, um canal no YouTube, um podcast, escrever artigos para o LinkedIn, ser ativo em comunidades e redes sociais que tenham relação com seus interesses e metas ou tudo isso ao mesmo tempo.

Persista além do que a maioria é capaz de persistir.  Aos poucos você será reconhecido como uma referência no seu setor.

Leva tempo; dá trabalho; mas vale à pena.

4 – Aprendizagem contínua

Busque conhecimento e se atualize constantemente.

Sabe aquela pessoa que só estuda se a empresa pagar? Por favor, não seja ela.

O período intenso de aprendizado que vivi nos anos que antecederam minha transição de carreira estão intimamente relacionados com o início do LabFazedores.

Aprendizagem contínua é um dos pilares profissionais do mundo pós-digital. A realidade muda rápido demais para se dar ao luxo de ficar estagnado.

Dinheiro não é desculpa. Nunca foi tão acessível aprender. É possível aprender qualquer coisa gratuitamente ou pagando pouco se você tem acesso a uma conexão com a internet. Repito, qualquer coisa. Falta de tempo também não deveria ser um argumento. Seus compromissos atuais dizem muito sobre o profissional que você será daqui a dois anos.

E você, o que tem feito para construir seu valor individual no mercado?

Se a empresa em que você trabalha deixasse de existir amanhã, como você estaria posicionado?