Se você ainda não encontrou uma maneira de ser pago por aquilo que você cria, você tem um hobby e não um negócio.

É muito comum encontrar candidatos a empreendedores ou empreendedores em início de caminhada que resistem a essa ideia. Eles dizem frases como: “resolvi oferecer minha solução sem custos para colher feedback do mercado”, “minha estratégia é oferecer a solução gratuitamente para aumentar minha base e depois validar um modelo de negócios”, “vou criar o negócio e talvez remunere via crowdfunding recorrente ou propaganda depois”. 

Todos os exemplos acima até poderiam ser válidos, desde que estivessem contidos em uma estratégia comercial mais abrangente.  Nesses casos, a etapa gratuita seria parte de um processo de vendas e teria como objetivo gerar receitas nas outras etapas. Normalmente, não é isso que acontece. E quando acontece, provavelmente seria melhor optar por vender desde o início.

Já escrevi sobre o quanto acredito que uma empresa deve ter ofertas bem definidas e fáceis de compreender

Acredito também que o feedback de clientes reais, que estão pagando pelo que você oferece, é muito mais eficaz no desenvolvimento de um negócio. Quando alguém passa o cartão de crédito e paga por sua oferta, o nível de cobrança passa a ser outro imediatamente. 

Você provavelmente descobrirá que sua oferta não é tão genial assim; que falta muito para chegar no nível de qualidade que você imaginava ter chegado; e que ainda há um longo caminho a percorrer para atingir o crescimento que você almeja. 

O ponto central é que passar pela experiência de ter consumidores reais é a melhor forma de obter esse aprendizado. 

Essa é a diferença fundamental entre amadores e profissionais.

O senso comum nos diz que amador é aquele que ama o que faz. Por isso, segue sua vocação, ainda que não ganhe dinheiro. Já o profissional é aquele que desempenha sua atividade em troca de contrapartida financeira. A partir desse ponto de vista é muito comum pensar que o amador teria mais comprometimento, já que é movido apenas pelo amor ao ofício.

 Robert Kiyosaki (sim, aquele mesmo rsrs) faz um contraponto interessante sobre o tema. Na visão dele, o amador não ama suficientemente sua vocação. Se assim fosse, ele não a desempenharia como uma atividade secundária, como um projeto paralelo. Já o profissional ama tanto sua vocação que dedica a ela todo seu tempo e energia. Compromete-se com seu propósito de forma permanente e profunda. É ele quem assume todos os riscos e paga o preço de se comprometer com sua missão. É o profissional quem vive as lutas, incertezas, derrotas e vitórias de escolher viver de acordo com sua essência.

O esporte é uma fonte inesgotável de exemplos sobre o que estou escrevendo. Oscar Schmidt, lenda do basquete, já declarou muitas vezes que seu apelido “Mão Santa” não era justo. O que ele tinha era mão treinada, pois fazia mil arremessos todos os dias após os treinos. Ou seja, depois que todos os outros iam descansar. Não era um dia ou outro, ele fez isso todos os dias durante a vida toda. Oscar já disse: “o limite foi o que eu treinei, não dá para treinar mais do que eu”. 

Você pode ser a estrela da pelada do final de semana. Ainda assim, não atingirá o nível de um jogador profissional mediano. 

Por que? Porque ele é um profissional e você um amador.

Não há como atingir a excelência em nada sem se tornar um profissional. Se o seu objetivo é ser reconhecido como um dos melhores naquilo que você faz, dê um jeito de se tornar profissional.

Essa é uma diferença que passa despercebida a muitos. 

Estes, depois perguntam: como foi que ele chegou lá?

Go pro!