Ambiente de trabalho como facilitador da inovação e da solução de problemas

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Já dizia Vinicius de Moraes:

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

Muitas pessoas subestimam o impacto do ambiente físico para a boa realização de um trabalho. O ambiente de trabalho deve ser agradável – em todos os casos – e adequado às atividades que a empresa desenvolve.

Outro ponto relevante a ser considerado é o fato do ambiente físico de uma empresa poder ser pensado como estímulo a um objetivo específico que se quer atingir.

Empresas que estimulam espaços e situações para encontros sociais constantes e não planejados têm uma poderosa ferramenta para criação de novas soluções. Quanto mais propensas à socialização as pessoas estão, mais elas tendem a revelar suas personalidades, conhecimentos, habilidades, objetivos e mais constroem relações e uma cultura de confiança. A partir disso, cria-se na organização um ambiente propício à inovação e à solução de problemas.

Descobri recentemente que há uma excelente palavra sobre isso na língua inglesa: mingle, que significa o ato de combinar-se, misturar-se com alguém ou alguma coisa sem, no entanto, perder a própria essência.

Como eu mencionei anteriormente, existem empresas que adotaram com êxito ações planejadas para promover a interação social como uma função estratégica e parte integrante do negócio.

Colisões Físicas

Quando a Pixar comprou uma antiga fábrica de enlatados para construir sua sede em Emerville na California, Steve Jobs, investidor e um dos idealizadores da empresa, resolveu colocar em teste uma daquelas visões de futuro tão características de sua personalidade. Os planos iniciais previam a construção de três unidades, onde as principais funções organizacionais estariam segregadas. Em vez disso, Jobs resolveu juntar todos os setores em um edifício comum com um grande átrio no centro. O espaço foi pensado exatamente para provocar a colisão entre pessoas e seus projetos.

No centro do átrio, Jobs colocou as salas de reuniões, a cafeteria e (toque de gênio) os banheiros. Desse modo, ainda que um funcionário não quisesse, ele inevitavelmente toparia com pessoas, ideias e possibilidades de coisas interessantes ocorrerem.

Na mosca! Ao longo dos anos, muitas soluções criativas e inovações surgiram a partir de encontros casuais induzidos pela arquitetura da sede. O átrio da Pixar virou um elemento central da cultura da empresa e serviu de inspiração para outras organizações muitas vezes desde então. Jobs, inclusive, se utilizou da mesma lógica quando pensou em uma nova sede para a Apple.

Colisões emocionais

Matt Kingdon conta no livro “Os verdadeiros heróis da inovação” um exemplo da consultoria britânica de inovação ?What If!, que não possui as mesmas possibilidades de espaço físico que a Pixar, mas fez mudanças menos radicais e apostou nos encontros emocionais. Para tanto, derrubou algumas paredes e criou uma grande cozinha comunitária no centro de um dos andares de sua sede.

A solução encontrada pela empresa, além de estimular hábitos alimentares mais saudáveis (funcionários passaram a se sentir impelidos a criar receitas e dividi-las com os colegas), evitava a impessoalidade das máquinas de café e snacks.

Adicionalmente, a medida tornou hábito os encontros informais entre os funcionários. Tais encontros são uma excelente oportunidade para que boas ideias se misturem, para ouvir opiniões sobre aquele projeto que eventualmente não está entre as atividades priorizadas e para que pessoas descubram habilidades complementares que podem ser de grande valor. Que momento mais propício poderia existir do que uma pausa para um café com um pedaço de bolo ou um sanduiche natural feito por um dos colegas? A partilha das refeições sempre foi um momento especial ao longo da História do ser humano.

Seja qual for a empresa, é preciso pensar no espaço físico como um organismo vivo que pode facilitar ou dificultar a consecução de seus objetivos estratégicos.

Saiba mais sobre a Pixar e a ?What If! em:





3 Comentários


  1. Kaio, ótimos exemplos. Mas fez lembrar a cultura organizacional do Banco Garantia descrito pela Cristiane Correa em Sonho Grande. Quando ainda era um pequeno banco com poucos funcionários a mesa do chefe, Paulo Lemann, ficava no meio da sala a vista e a disposição de qualquer um. Sem paredes, sem barreiras. O chefe era aquele que estava sentado ao lado de um subordinado.
    É legal observar que a ideia é a mesma: interação, conexão e livre acesso tornam o ambiente mais criativo e portanto com maior possibilidade de sucesso, seja esse visto através de projetos de tecnologia ou venda de papéis do mercado financeiro.

    E recentemente fiz uma analogia enquanto escutava um podcast a caminho do trabalho. Assim como a sua empresa tem uma cultura, a sua casa também tem, o seu relacionamento com seus pais e com sua esposa idem. Olha que incrível! Abertura, liberdade, feedback e inovação estão em todos os “espaços” da vida!
    Simples, mas para mim soou como um insight!

    Obrigada por ampliar meus espaços!

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