A mesa de Steve Jobs

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Cultura organizacional é algo que se constrói no dia-a-dia, nas grandes e pequenas atitudes. Ed Catmull é cofundador e presidente da Pixar e da Disney Animation e escreveu sobre um episódio que ilustra bem o tema em seu livro, que já nasceu clássico, “Criatividade S.A.”.

A Pixar revolucionou a computação gráfica e o mercado de animação ao criar Toy Story, o primeiro longa-metragem inteiramente concebido em computadores. O estúdio também é conhecido por sua cultura democrática e voltada à criatividade.

Catmull conta que durante 13 anos houve na sede da empresa uma longa e estreita mesa de reuniões em torno da qual as principais decisões eram discutidas. A mesa era assinada por um famoso designer amigo de Steve Jobs. Para quem não sabe, em 1986, Jobs comprou a divisão da Lucasfilm que viria a se transformar na gigante Pixar Animation Studios e foi figura determinante na construção da trajetória da organização. O móvel era belíssimo, porém, nas palavras do próprio Ed, impedia o trabalho.

As reuniões ao redor da mesa contavam com a participação de 30 profissionais divididos em duas fileiras e, como você já deve ter concluído, a comunicação não fluía. Aqueles que sentavam nos extremos não conseguiam ouvir, nem colocar suas opiniões. Além disso, para garantir que os diretores do filme em produção e os demais líderes criativos da empresa sentassem ao centro, alguém começou a colocar cartões para marcar os lugares. O que já era ruim, ficou parecendo um jantar de gala.

Um dos pilares da Pixar é o fato de não haver hierarquia nem barreiras à comunicação quando o assunto é criação e aquela distribuição das pessoas representava a antítese disso. Aparentemente, quanto mais perto do centro você estava mais importante você deveria ser. Os que sentavam no centro eram aqueles que mais falavam e os que mais eram ouvidos. A dinâmica estabelecida, com o tempo, passou a prejudicar o processo criativo.

Detectado o problema, Ed Catmull pediu que se livrassem da mesa e que ela fosse substituída por outra que facilitasse a comunicação e o “olho no olho” e assim foi feito.

O fato curioso é que a questão não foi resolvida de imediato. Os cartões e a hierarquia continuaram lá. Os maus hábitos já estavam arraigados e apenas quando um dos diretores entrou na sala, jogou todos os cartões para o alto e afirmou em alto e bom som – nós não queremos mais – a questão foi finalmente entendida por todos e o problema foi superado.

Até nas empresas reconhecidamente criativas e inovadoras existem problemas culturais, portanto é preciso estar vigilante.

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2 Comentários


  1. Li o livro e indico a todos que tenham interesse em saber mais sobre ambientes criativos, liderança e senso de unidade dentro da empresa.
    O que Catmull buscou faz parte do seu propósito de vida, é contagiante ver como ele dava importância a cada opinião que fizesse parte do processo produtivo, a menos que isso fosse impactar na ineficiência do próprio processo. É brilhante, vale a leitura!

    Mais uma vez vc explorou bem o tema, apresentando como uma “simples mesa” pode impactar diretamente toda a cultura organizacional. E mais, diagnosticar o problema é só o primeiro passo da mudança!

    Até a próxima!

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    1. Adoro você por aqui.

      Pois é, você leu antes de mim, inclusive. Acho o livro um batia relato de como criar uma cultura organizacional empreendedora e criativa e sobre o desafio de mantê-la enquanto a empresa passa pelo crescimento que a Pixar passou.

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