Imagine um deserto e sua paisagem árida e desolada. Calor escaldante e nenhuma comunidade por perto. Apenas sol, tempestades de areia e muito calor.

De repente, pessoas vêm chegando aos milhares. Vindas de muitos lugares e onde antes não existia nada, nasce uma imensa cidade de 70 mil habitantes em forma de meia lua chamada Black Rock City. Por uma semana e apenas uma vez ao ano, Black Rock, localizada no deserto americano de Nevada, se torna o epicentro da criatividade e da livre expressão artística no mundo.

Estou falando do festival Burning Man, que existe desde 1986 e pode ser considerado o maior festival de contracultura do planeta.

É difícil definir o evento. O aspecto é de um imenso Mad Max hippie, no qual as pessoas são encorajadas a se expressarem da forma mais livre que conseguirem. A única regra é não prejudicar o outro.

O dinheiro também não circula na cidade, tudo é baseado em gentileza e escambo. Uma experiência prática de como seria viver a “gift economy”. Marcas e empresas também não têm vez. Pratos de comida, trabalhos manuais e até strip teases podem servir como moeda de troca. Aliás, avistar pessoas nuas ou apenas com seus corpos pintados é algo comum. Parece não haver também nenhuma restrição quanto ao consumo de todo tipo de substância lícita ou ilícita. Como eu disse aí em cima, a única regra é não machucar ninguém.

O festival têm esse nome em função da enorme estátua feita em madeira e neon, localizada no meio da cidade e conhecida como The Man. Como é possível deduzir, a enorme estátua é queimada no fim do festival, junto com todas as outras instalações fixas. Existem outras estruturas como “O Templo” e uma infinidade de acampamentos temáticos, onde se pode comer, receber massagens, tomar banhos coletivos, descolar um passeio de avião pelo deserto, frequentar cursos e ter contato com as mais variadas expressões artísticas.

Há uma organização profissional por trás do acontecimento, mas esta é responsável apenas por uma logística mínima, pela venda dos ingressos (sim, é preciso pagar para participar) e pela divulgação do festival ao longo do ano. No mais, cada pessoa é responsável por levar tudo o que precisará para viver sua experiência e, tão importante quanto, por não deixar nada para trás quando for embora.

DJs, músicos, atores e artistas plásticos se apresentam 24 horas por dia.

Muito além da diversão, vários participantes consideram o Burning Man um experimento social, uma experiência de vida em comunidade impossível em qualquer outro contexto. Outros consideram os dias passados no festival como uma experiência espiritual, tendo o ambiente hostil e o fogo como elementos centrais de transformação.

O que eu ainda não disse e que você talvez já tenha percebido é que, embora o caráter artístico seja completamente livre e não comercial, o Burning Man pode ser considerado a maior concentração de trendsetters por metro quadrado do mundo ocidental. Muito do que acontece por lá, pode virar tendência de consumo mais rápido do que as tempestades de areia que varrem a cidade do homem em chamas diariamente. As empresas, embora não possam anunciar suas marcas no evento, estão obviamente ligadas nisso. Várias startups do mundo todo montam seus acampamentos por lá. Gigantes como o Google também. Criativos e inovadores de diversos cantos vão por conta própria. No Brasil, Caito Maia, fundador e dono da Chilli Beans, já declarou em entrevistas que sua maior referencia estética é o Burning Man.

É fato que as empresas mais inovadoras estão com seus radares voltados para o deserto durante a semana do festival, ou seja, o que acontece nessa louca comunidade que mistura arte, piromania e surrealismo vai chegar em você de alguma forma.

O Burning Man é muito mais que um festival, é uma experiência social poderosa. Estar atento ao que acontece por lá, pode te fazer antecipar tendências artísticas, estéticas e de consumo.

Recomendo uma olhada demorada nas imagens que retornam de uma pesquisa no Google e nos vários vídeos que existem no YouTube.

Vista Aérea de Black Rock City

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