Burning Man e seus seguidores no deserto

Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine um deserto e sua paisagem árida e desolada. Calor escaldante e nenhuma comunidade por perto. Apenas sol, tempestades de areia e muito calor.

De repente, pessoas vêm chegando aos milhares. Vindas de muitos lugares e onde antes não existia nada, nasce uma imensa cidade de 70 mil habitantes em forma de meia lua chamada Black Rock. Por uma semana e apenas uma vez ao ano, Black Rock, localizada no deserto americano de Nevada, se torna o epicentro da criatividade e da livre expressão artística no mundo.

Estou falando do festival Burning Man, que existe desde 1986 e, segundo o Google me conta, pode ser considerado o maior festival de contracultura do planeta. É difícil definir o evento, o aspecto é de um imenso Mad Max hippie, onde as pessoas são encorajadas a se expressarem da forma mais livre que conseguirem. A única regra é não prejudicar o outro.

O dinheiro também não circula na cidade, tudo é baseado em gentileza e escambo. Um participante bem definiu o sistema como “gift economy”. Marcas e empresas também não têm vez. Pratos de comida, trabalhos manuais e até strip teases podem servir como moeda de troca. Aliás, avistar pessoas nuas ou apenas com seus corpos pintados é algo comum. Parece não haver também nenhuma restrição quanto ao consumo de todo tipo de substância lícita ou ilícita. Como eu disse aí em cima, a única regra é não machucar ninguém.

O festival têm esse nome em função da enorme estátua feita em madeira e neon, localizada no meio da cidade e conhecida como The Man. Como é possível deduzir, a enorme estátua é queimada no fim do festival, junto com todas as outras instalações fixas. Fora isso, existem outras estruturas como “O Templo” e uma infinidade de acampamentos temáticos onde se pode comer, receber massagens, tomar banhos coletivos, descolar um passeio de avião pelo deserto, frequentar cursos sobre as coisas mais exóticas possíveis e ter contato com as mais variadas expressões artísticas.

Há uma organização profissional por trás do acontecimento, mas esta é responsável apenas por uma logística mínima, pela venda dos ingressos (sim, é preciso pagar para participar) e pela divulgação do festival ao longo do ano. No mais, cada pessoa é responsável por levar tudo o que precisará para viver sua experiência e, tão importante quanto, por não deixar nada para trás quando for embora.

DJs, festas e todo tipo de arte acontecem durante 24 horas por dia.

Muito além da diversão, vários participantes consideram o Burning Man um experimento social, uma experiência de vida em comunidade impossível em qualquer outro contexto. Outros consideram os dias passados no festival como uma experiência espiritual, tendo o ambiente hostil e o fogo como elementos centrais de transformação.

O que eu ainda não disse e que você talvez já tenha percebido é que, embora o caráter artístico seja completamente livre e não comercial, o Burning Man pode ser considerado a maior concentração de trendsetters por metro quadrado do mundo ocidental. Muito do que acontece por lá, pode virar tendência de consumo mais rápido do que as tempestades de areia que varrem a cidade do Homem em Chamas diariamente. E as empresas, embora não possam participar oficialmente da festa, estão obviamente ligadas nisso. Várias startups do Vale do Silício montam seus acampamentos por lá. Gigantes como o Google também. Criativos e inovadores de diversos cantos vão por conta própria. No Brasil, Caito Maia, fundador e dono da Chilli Beans, já declarou em entrevistas que sua maior referencia estética é o Burning Man.

É fato que as empresas mais inovadoras estão com seus radares voltados para o deserto durante a semana do festival, ou seja, o que acontece nessa louca comunidade que mistura arte, piromania e surrealismo vai chegar em você de alguma forma.

O Burning Man é muito mais que uma festa, é uma experiência social poderosa. Estar atento ao que acontece por lá, pode te fazer antecipar tendências artísticas, estéticas e de consumo.

As imagens e vídeos a seguir são uma pequena amostra. Recomendo uma olhada demorada nas imagens que retornam de uma pesquisa no Google e os vários vídeos que existem no YouTube.


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4 Comentários


  1. Após a leitura ficou claro para mim como o ambiente em que estamos inseridos é importante para o fomento da criatividade.
    Os EUA são historicamente inovadores e buscam permanecer na vanguarda das descobertas, sendo prioridade do governo federal manter a excelência na ciência. Enquanto via o vídeo fiquei comparando o Burning Man ao festival de música eletrônica chamado Universo Paralelo, mas só depois me toquei que os 7 dias no deserto americano serviam para pessoas expandirem seus horizontes, mostrarem seus desejos e serem livres na sua criação, sendo óbvio que as grandes empresas estejam ali pra ver qual será a tendência do momento.
    Vc me fez enxergar um outro cenário e parar de pensar de forma restrita ao imaginar um monte de doidões aproveitando a chance de consumir qualquer droga simplesmente para ter o prazer do torpor. Obrigada 🙂

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    1. Bela observação Luísa. O festival é realmente isso, uma experiência social poderosa e capaz de gerar tendências. Bem mais do que uma festa.

      Obrigado por ler e participar.

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  2. Infelizmente o Burning Man pode ser inacessivel para nos brasileiros, com o dolar nas alturas, e a logistica complicada de se deslocar para tao longe. Mas nao custa aprender e incorporar o espirito dos principios para induzir surpresas inesperadas no seu proprio ambiente.

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    1. Exatamente. Há muita coisa no modelo e na “filosofia” do festival que pode servir de lição para aqueles que se interessam por novas linguagens e por inovação.

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