Pimenta nos olhos é refresco

Tempo de leitura: 4 minutos

Caito Maia, fundador e mente por trás da Chilli Beans é um baita empresário e uma personalidade interessantíssima. Já admirava a trajetória dele por conta de um livro chamado ”E se colocar pimenta?”, escrito pelo próprio Caito e por Rodolfo Araújo, que conta a história da empresa e de seu idealizador e, em 2015, minha admiração foi reforçada quando assisti seu estudo de caso na plataforma meusucesso.com.  Ambas as fontes permitem entrar um pouco no universo apaixonado, criativo e um tanto rock`n roll do empresário.

Abordarei dois aspectos que, na minha visão, se configuraram em vantagens competitivas da Chilli Beans.

1 – Foco na marca

Antes da Chilli Beans, o empresário vendeu óculos no atacado e após quebrar em função de dois clientes inadimplentes, percebeu que o varejo oferecia melhores margens e menor necessidade de capital de giro (fluxo de caixa, meus caros!). Com o que sobrou do estoque da empresa falida, começou a Chilli Beans no mercado itinerante Mundo Mix (um clássico dos anos 90). Foi lá que Caito aprendeu a importância da marca e, desde então, fez disso a principal diretriz estratégica de sua empresa. São admiráveis os exemplos de investimento de capital e energia para priorizar esse aspecto. Nas palavras dele, “qualquer um pode ter acesso a uma lista de fornecedores chineses para fabricar seu produto, mas marca é diferencial e construção”. Os resultados são inegáveis. Pense por alguns instantes na Chilli Beans e sei que, automaticamente, uma série de percepções e valores virão em sua cabeça sem que eu precise enumerá-los. Isso é uma marca bem construída! A empresa é essencialmente um case de branding executado com maestria.

2 – Gestão e proximidade

Tal qual muitos outros empreendimentos, a Chilli Beans começou pequena, errou, acertou e hoje é uma empresa grande, internacional e com potencial para uma expansão ainda maior. O crescimento da empresa resultou na profissionalização dos processos e da gestão, porém tanto o livro quanto o estudo de caso enfatizam a preocupação de Caito Maia em estar próximo aos franqueados, gerentes e vendedores. Essa proximidade é fomentada de várias maneiras e a que mais me chamou a atenção quando li o livro, à época de seu lançamento em 2012, foram as turnês nacionais em que Caito Maia visita e interage com seus colaboradores. Essa interação, na visão do empresário, é essencial para garantir o alinhamento da experiência do cliente e dos valores da marca.

Pensei cá com meus botões: “Beleza, ele deve ter feito isso muitas vezes, deve ter percorrido o país e visitado todo mundo. Genial! Mas agora o cara está rico, a empresa é gigante, duvido que ele ainda faça esse tipo de coisa. Inviável! Impossível”!

Eis que alguns meses depois de finalizar a leitura, estava eu andando em um Shopping Center, localizado em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, quando reparei na movimentação que ocorria na loja da Chilli Beans e acabei sendo abordado por um “vendedor” que me convidou a entrar e conhecer alguns novos modelos. Sim, o vendedor era o próprio Caito Maia (que reconheci imediatamente, mas não disse nada). Educadamente agradeci e acabei não entrando. Preferi observar de longe por alguns minutos.

A forma como ele se dirigia à equipe, abordava clientes (que desconheciam estarem sendo abordados pelo dono da marca), mostrava os produtos, transmitia conceitos e técnicas de venda era de fato impressionante. Ficou clara a importância daquele comportamento e que, sem dúvidas, ele era uma das vantagens competitivas da marca da pimenta. A energia era palpável e a equipe estava visivelmente contagiada pelo ânimo e pela motivação do empreendedor que visitava a loja para mostrar como se faz. A paixão pela empresa que ele criou era transmitida com uma força impossível de ser ignorada.

Fez todo sentido o fato dessa prática perdurar, apesar do porte e do sucesso da empresa. Aquela atitude dizia muito sobre a cultura organizacional que existe por trás do êxito da marca.

ps- No video abaixo, a visão do empresário sobre o que se costuma chamar de “festa da firma”

Segue o link do livro citado no post:




2 Comentários


  1. Caito é simplesmente sensacional. Dificilmente essa minha frase vai ter algum exagero. Na minha opinião ele conduz o mercado de óculos no Brasil com total hegemonia. Não bastasse ter criado Chilli Beans, nenhum outro concorrente conseguiu ser páreo para Caito, que há algum tempo tem diversificado seus produtos com mochilas e relógios.
    Pra se ter noção do impacto da marca, eu imagino q quase todas as pessoas q eu conheço já tiveram/tem um Chilli Beans, com exceção de meus avós.
    É um baita exemplo, bom demais vc mostrar referências tupiniquins!

    Valeu, irmão.

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    1. Ele é um craque mesmo. Na minha opinião, a Chilli Beans é um dos mais bem sucedidos casos de branding no Brasil.

      Obrigado por sua mensagem Lucas!

      Responder

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