O exemplo é comum.

A empresa quer se conectar aos novos modelos de gestão, incorporar práticas mais modernas e investe no que eu chamo de enxoval da inovação.

Treina as equipes em design thinking, começa a rodar alguns projetos periféricos aplicando métodos ágeis, manda a diretoria para um tour no Vale do Silício e inaugura seu “espaço de inovação”: uma sala com mobília colorida, muitos post-its, paredes de vidro, bebidas e snacks liberados, alguns quadros com frases motivacionais e…ah já deu para entender, aquela sala no “estilo startup”.

Todas essas medidas são positivas e podem gerar benefícios concretos, desde que alinhadas com a estratégia e, sobretudo, com a cultura organizacional. Do contrário, é aquela coisa do “deixa os meninos inovando aí, enquanto a gente está fazendo o trabalho sério”. Costuma servir também para que os executivos contem orgulhosos todas as ações descritas, quando perguntados sobre o que a empresa está fazendo para inovar. Nos dois exemplos, há pouca preocupação com resultados concretos.

Já trabalhei em muitos desses espaços nos meus tempos de corporação e ainda hoje em palestras e treinamentos do LabFazedores nas empresas. Sempre pergunto de que forma o espaço tem sido usado e como ele tem contribuído com a estratégia da organização. Em grande parte dos casos, minha impressão é que a “sala de inovação” é um espaço subutilizado, que está ali para cumprir uma função alegórica e nada mais.

Se este é o caso da sua empresa, eu tenho uma sugestão:

Deixe o mundo entrar.

Transforme o espaço de inovação em um ponto de contato com o mundo exterior.

Promova palestras, pitches, convide startups para trabalhar nele durante um período, convide clientes para usar o espaço, idealize imersões para que times diferentes tenham a chance de trabalhar juntos durante alguns dias, envolva os clientes em etapas estratégicas dos sprints para desenvolvimento de soluções, tente incluir profissionais externos contratados sob demanda, idealize um evento mensal de conteúdo aberto ao público, etc. As possibilidades são muitas, mas existe algo fundamental: registre e incorpore os aprendizados de cada uma dessas experiências.

Faça isso tendo em mente que a inovação não precisa de uma sala para acontecer, mas, se o espaço existe, que seja transformado no polo de disseminação de uma cultura de inovação que se espalhe por toda organização.

Por fim e mais importante, não se perca nos modismos e não se esqueça do principal: inovação significa gerar valor de uma nova maneira.

Gerar valor, ok?!

 

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