A inesplorato e a curadoria de conhecimento

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A economia criativa vem trazendo à tona modelos de negócio, produtos e serviços que até bem pouco tempo atrás não existiam.

Mas afinal, o que é essa tal economia criativa?

Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), economia criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda. Ou seja, na economia criativa o foco está no potencial intelectual dos indivíduos para produzir bens e serviços.

Esse contexto permite a criação de empresas com pouco ou nenhum investimento inicial e o desenvolvimento modelos de negócio inovadores.

Um bom exemplo dessa nova economia são as empresas dedicadas à curadoria de conhecimento. Essas empresas partem do pressuposto de que o volume de informações e a velocidade em que essas informações são produzidas é tão grande que cria um gap a ser explorado por negócios cuja proposta é identificar, contextualizar e correlacionar informações relevantes para um cliente.

Uma das pioneiras do mercado nacional é a Inesplorato (termo que significa desconhecido em italiano) e seu modelo de negócio nos permite enxergar o quanto o conhecimento pode se transformar em um empreendimento viável.

A empresa funciona em São Paulo, numa daquelas tradicionais casas da Vila Mariana e, além dos sócios fundadores, conta com curadores contratados em tempo integral e outros que se juntam à equipe para algum trabalho específico.

A Inesplorato, dentre outras soluções, produz curadorias temáticas para várias empresas que almejam entender melhor o contexto em que seus clientes estão inseridos. Temas como “Infelicidade feminina”, “Jovens senhores” e “A casa brasileira” já foram objeto de estudo. O processo normalmente não ocorre sob demanda. A equipe elege um tema e estima os custos de produzir um estudo completo sobre o assunto. Depois de pronto, o estudo pode ser customizado e vendido para várias empresas. Dessa forma, as curadorias tornam-se escaláveis.

Outra solução (bem bacana) produzida pelos pesquisadores da Inesplorato é a curadoria direcionada. Essa modalidade de curadoria é voltada para pessoas físicas de qualquer idade, formação ou profissão e tem como objetivo enriquecer o repertório, ativar a criatividade, instigar a busca por propósito, explorar um interesse específico e, até, motivar o início de um novo projeto de vida.

O produto final da curadoria direcionada é uma caixa artesanal  cheia de objetos com significado: livros, textos, filmes, documentários, um convite ao estudo de algum movimento artístico, etc. Em cada objeto, um bilhete transmite instruções como: “leia devagar” ou “fonte de inspiração para tal coisa”. A curadoria é bem mais que um presente legal. O processo começa cerca de 45 dias antes do recebimento da caixa e parte de uma ou mais entrevistas com o cliente para a montagem de um plano de curadoria, visando identificar coisas que a pessoa sabe, mas também colocar o indivíduo em contato com universos desconhecidos e interesses que estão adormecidos.

Há também um ritual de entrega, onde cada item da caixa é explicado e o cliente pode ganhar uma missão. A missão está ligada ao tema da curadoria e instiga o desenvolvimento pessoal de quem recebe a caixa. Pode ser tirar algum projeto do papel, realizar um estudo aprofundado sobre determinado tema, abrir um negócio, etc.

É uma experiência totalmente analógica, tangível e sentimental.

O trabalho dos curadores é entender o universo de quem compra o produto e pensar o que pode ser feito para que aquela pessoa se desenvolva a partir do conhecimento.

O perfil de quem compra é variado, o serviço não é barato e a maioria dos clientes compra outras vezes.

A matéria prima do business da Inesplorato é o ser humano. Por esse motivo, a pluralidade da equipe e o ambiente criativo também são incentivados. Rodizio de funções, reuniões para debater os erros e acertos, viagens e iniciativas paralelas dos curadores podem ser citados como exemplo de atitudes adotadas pela empresa para alimentar sua cultura.

O exemplo da curadoria de conhecimento é ótimo para explicar o que disse no início sobre o quanto à economia criativa vem subvertendo o mundo do trabalho e tornando viáveis negócios criativos e nada tradicionais.

Gostou? Recomendo o livro Empreendedorismo Criativo da Mariana Castro e uma visita ao site da empresa.




2 Comentários


  1. Excelente texto! Tenho aprendido várias coisas novas por aqui, obrigada por compartilhar conhecimento! De alguma forma, vc também tem sido um curador! 🙂

    Esse texto me faz pensar na quantidade de conteúdo disponível! Todos nós temos vários interesses, porém a rotina acaba nos forçando a focar em algumas prioridades fictas. A urgência da atualidade requer conteúdos a mão, somos atropelados pelo dia-a-dia e a Curadoria consegue nos abrir o leque. Fiquei super interessada no kit para pessoas físicas, incentivar a criatividade e despertar novos interesses têm o poder de transformar o nosso caminho!

    Vida longa ao site!

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    1. Obrigado pelas palavras de incentivo Sofia.

      De certa forma, a informação tem virado commodity e é o bom uso que se faz dela que configura vantagem.

      Esse fato dá margem para surgimento de vários tipos de negócio ligados à economia criativa.

      Apareça!

      Responder

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