Uma catástrofe e o nascimento do capitalismo consciente

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Nascido em 1953, o americano John Mackey é CEO e fundador do Whole Foods Market, além de ser um dos criadores e principais divulgadores do capitalismo consciente mundo afora. O empresário tem dedicado a vida a propagar a ideia de que negócios devem contribuir para propósitos maiores que a simples obtenção de lucro e que é possível estabelecer relações justas e mutuamente benéficas com todos os públicos de relacionamento de uma empresa.

O Whole Foods já nasceu como uma empresa diferenciada em suas relações com clientes, funcionários e comunidade, mas foi um incidente trágico, ocorrido logo no primeiro ano de funcionamento do negócio, que contribuiu decisivamente para transformar a empresa no que ela viria a ser no futuro.

O ano era 1981 e a operação do  Whole Foods consistia apenas em sua loja original na cidade de Austin. Naquele ano, o feriado do Memorial Day, celebrado na última segunda-feira de maio, foi marcado pela pior inundação em 70 anos naquela região. Um triste saldo de 13 mortos e US$ 35 milhões em danos para a comunidade.

O Whole Foods não escapou das consequências da catástrofe. A água subiu cerca de 2,4 metros no interior da loja e inutilizou todo o estoque e equipamentos. Não havia reservas financeiras, nem seguros. Naquela manhã, os funcionários estavam desolados e a empresa tecnicamente falida.

Foi nesse momento crítico, porém, que a filosofia que nascia junto com a empresa mostrou seu real valor. Em pleno feriado, funcionários, clientes e vizinhos apareceram com suas vassouras, baldes e todo tipo de material de limpeza e promoveram um animado mutirão para que a loja de que tanto gostavam não deixasse de existir. Nos dias que se seguiram, clientes continuaram aparecendo para ajudar na reforma, colaboradores aceitaram trabalhar sem receber até que a situação se normalizasse, fornecedores reabasteceram o estoque com prazos de pagamento diferenciados e os bancos concederam empréstimos para que a operação voltasse a girar.

Quando os fundadores, um tanto perplexos com a corrente do bem, questionavam por que as pessoas faziam aquilo, percebiam a importância da loja para aquela comunidade e o quanto os valores que eles tentavam implementar resultaram em identificação e engajamento.

A empresa não teria sobrevivido sem toda a ajuda inesperada e pode-se considerar, sem margem para dúvida, que o episódio da enchente em Austin contribuiu decisivamente para a validação dos pilares daquilo que passaria a ser conhecido globalmente como capitalismo consciente.




2 Comentários


  1. A história é muito bonita e inspiradora, com certeza. Só acho que esse conceito de “capitalismo consciente” seja, na verdade, o suspiro final de um cadáver anunciado. Explico: sabemos que o Capitalismo como o conhecemos, oriundo da Revolução Industrial, está com os dias contados da mesma forma que o pensamento linear e essa forma repetitiva, previsível, lenta e estável de ver o mundo. Não estou dizendo que a iniciativa do John Mackey seja “ultrapassada” ou inválida (muito pelo contrário: é um exemplo a ser seguido e admirado). Mas quando esse modelo obsoleto de Capitalismo ruir (e é bem provável que estejamos vivos para ver isso), palavras como “lucro”, “faturamento”, “receita” perderão o sentido. O que vai sobrar é a causa (e isso o Mackey tem!) e o tesão por fazer algo que curte. Trabalhar só pra engordar a conta bancária, mesmo odiando a segunda-feira, não faz sentido nenhum. E acho que um dia ainda vão rir de nós por causa disso, assim como a gente custa a acreditar que já houve escravidão. Tomara, né?

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    1. Grande Brunão!

      Pessoalmente, acredito nos princípios do capitalismo consciente como a semente do novo sistema econômico que precisamos construir.

      Como dissemos no final de semana: a galera da comunicação tem que criar um nome melhor para essa parada. O conceito e os princípios estão lá, mas o nome está meio queimado. hehehe

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