Vejo profissionais de vários mercados falando sobre Inteligência Competitiva (IC), contudo é comum a utilização do conceito de forma errônea ou incompleta.

Um dos erros bem comuns é confundir Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva. Enquanto o foco da primeira é adquirir, organizar e compartilhar conhecimento, de modo a aumentar a eficiência da empresa, além de transformar o conhecimento interno tácito em explícito e formal; o da segunda é dar suporte às decisões. Outro erro comum é confundir serviços de clipping, compartilhamento de notícias ou simples pesquisas na internet com IC.

Mas afinal, o que é Inteligência Competitiva?

Segundo a Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva – ABRAIC (sim, existe uma associação!), Inteligência Competitiva é o processo sistemático e ético que visa descobrir forças que regem os negócios, reduzir o risco e conduzir o tomador de decisão a agir proativamente, bem como proteger o conhecimento sensível produzido. Caracteriza-se pela produção de informações acionáveis (ou seja, Inteligência) que não são facilmente obtidas, por estarem ocultas e/ou desconexas, ou camufladas, ou mesmo distorcidas por quem as produziu.

A IC é, sobretudo, uma atividade de análise. Dessa forma, somente coletar informações ou monitorar o ambiente não constitui IC. Existe a necessidade de selecionar/contextualizar os dados coletados e elaborar conclusões. Tais conclusões acabam representando visões sobre o ambiente de competição e sobre o futuro.

Ciclo de IC

O ciclo de Inteligência Competitiva, na visão da maioria dos autores, é formado por quatro etapas e consiste no processo que transforma um fato em inteligência disponível e acionável pela organização.

Ciclo de IC, adaptado de Krahaner (1996)

Sistema de Inteligência Competitiva (SIC)

O conjunto de atividades relacionadas a Inteligência Competitiva constitui um Sistema de Inteligência Competitiva (SIC). Nesse contexto, a relevância é mais importante do que a quantidade de dados pesquisados. A essência da prática é ligar os pontos entre os fatos analisados.

A relação custo vs. benefício do investimento em Inteligência Competitiva tende a ser positiva, na medida em que os maiores gastos estão na formação e capacitação das pessoas envolvidas.

Pode-se dizer também que a busca por antecipar movimentos, monitorar o ambiente e os atores que podem impactar as estratégias organizacionais deve ser uma constante.

Grandes e pequenas empresas têm diferentes possibilidades para investir em sistemas de IC, porém toda e qualquer empresa deveria desenvolver uma mentalidade de IC. Custa pouco e os benefícios podem ser surpreendentes.

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