As quatro fases do estresse

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O termo estresse veio da Física e significa a tensão e o desgaste a que os materiais estão expostos. Foi em um artigo científico, escrito pelo médico austríaco Hans Selye e publicado na revista científica Nature em 1936, que o termo foi utilizado pela primeira vez no sentido que o tornou popular atualmente.

É comum falarmos sobre estresse, mas será que compreendemos de fato o que o conceito significa?

O estresse está ligado a um conjunto de reações químicas e fisiológicas naturais do ser humano que surgem quando procuramos ou precisamos nos ajustar a pressões internas ou externas. É uma resposta necessária à sobrevivência de nossa espécie, pois nos permite lidar com perigos, desafios e obstáculos.

O Hospital Alber Einstein explica que “quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – atacando ou fugindo. As duas reações demandam uma série de ajustes do corpo. O batimento cardíaco acelera porque o coração tem que bombear mais sangue para os músculos que precisam receber mais energia. Há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas”.

A questão é que nossa vida moderna, urbana e com desafios bem diferentes da vida na selva, desperta com grande frequência esse tipo de reação física e psicológica em situações que não ameaçam de fato nossa sobrevivência.

Hans Selye, já citado anteriormente, cunhou a expressão Síndrome Geral da Adaptação e dividiu o estresse em três fases, que mais tarde se tornaram quatro.

Fase 01 – Alerta

Compreende dois estágios, o de choque (surpresa ou susto) e o de contrachoque (a reação). A glândula suprarrenal produz adrenalina para deixar o indivíduo mais alerta e em estado de prontidão para lidar com o agente estressor, que é a situação que originou o estresse.

Fase 02 – Resistência

Se a fase de alerta perdura, surgem novos estressores. Para lidar com a situação, o organismo age para evitar o gasto total de energia e surge o cansaço. Começa a dificuldade de concentração e a dificuldade de relaxar.

Fase 03 – Quase exaustão

O estresse aumenta e a resistência física e emocional começa a falhar. A glândula suprarrenal interrompe a produção de adrenalina e começa a excretar cortisol. Começam as dificuldades de produtividade e o sistema imunológico enfraquece, deixando a pessoa vulnerável a enfermidades.

Fase 04 – Exaustão

O estresse continua a aumentar e o indivíduo entra em profundo desequilíbrio. Começam os distúrbios de sono e a alternância entre momentos de apatia e agressividade. A capacidade de relacionamento e comunicação também fica prejudicada. Doenças mais graves podem ser desencadeadas em função do estresse.

Um dos grandes desafios da vida moderna, comum a cada um de nós, é conhecer como os mecanismos estressores se manifestam e não permitir que o estresse se torne crônico. Administrar o estresse passa por manejar com eficiência a fase de alerta. Desenvolver a capacidade de identificá-la, de entrar e sair dela, dando espaço para que o organismo relaxe e recupere seu equilíbrio natural. Deve-se evitar que o estresse progrida para as outras fases.

Nesse ponto, o autoconhecimento talvez seja o elemento mais importante. É preciso conhecer como o SEU organismo reage, se e como percorre todas as fases, quais são os elementos estressores e que atividades permitem que seu organismo recupere o equilíbrio. Em minha experiência pessoal – de quem não é especialista na área da saúde, mas já passou algumas vezes na vida pelas quatro fases – atitudes como se alimentar bem, realizar atividades físicas com regularidade e praticar meditação ajudaram. Outro ponto fundamental é perceber que tipo de vida você está vivendo. Sua vida atual está conectada com quem você é de verdade? O que você está vivendo atualmente está de acordo com sua essência? Se a resposta for não, talvez seja válido analisar o que você pode fazer para se reconectar consigo.

Saber reconhecer como o SEU organismo funciona é fundamental, como também é fundamental procurar ajuda de profissionais especializados quando o estresse se tornar crônico ou quando não é possível lidar com a situação sozinho.




Dica de leitura: este livro trata como poucos sobre a dinâmica das organizações do modelo industrial e seus impactos para o adoecimento e o sofrimento profissional. É daqueles livro que deixam claro a urgência de substituição deste modelo por outro mais alinhado com os anseios humanos.

Algumas referências sobre o tema:

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