Exclusão radical: como eliminar atividades pode ajudar a realizar objetivos

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Você já parou para pensar que deixar de fazer coisas pode ser um ingrediente para fazer o que você realmente quer fazer? Exatamente! Promover a exclusão de atividades da sua rotina atual pode ser sim um trunfo na realização de seus objetivos pessoais.

Há um tempo atrás, escrevi um texto com o título inovar também é saber dizer não. O foco do artigo é a importância de rejeitar oportunidades para que empresas se mantenham alinhadas ao seu propósito e, com isso, foquem sua energia inovadora naquilo que realmente faz sentido. O mesmo princípio também é válido para profissionais de quaisquer áreas. É preciso focar em atividades que realmente estejam alinhadas com seus objetivos de vida e aprender a eliminar todo o resto.

O passo inicial é saber suas razões. Por que você faz o que faz? Há uma parte significativa da sociedade que passa a vida em uma sequência de atividades realizadas em piloto automático, sem parar para pensar se elas têm alguma relação com o impacto que você quer causar a partir de suas ações. Vou perguntar de novo: por que você faz o que faz? Se for difícil achar uma resposta, minha sugestão é parar e refletir seriamente sobre quem é você e sobre qual legado você quer deixar na sua breve passagem por esse planeta.

Um importante princípio é saber que você pode direcionar sua energia para basicamente qualquer coisa, mas não consegue fazer tudo ao mesmo tempo. É aí que muita gente se perde no caminho. Gente que já descobriu para onde quer caminhar, mas não consegue evitar que a rotina e as demandas impostas por terceiros se transformem em obstáculos limitadores.

Mapear suas principais atividades e desenvolver o hábito de utilizar questionamentos direcionados como filtro para as opções que se apresentam é uma boa atitude a ser adotada. Por que eu deveria fazer isso? O que acontecerá se eu não fizer? Essa atividade me aproxima ou me afasta da minha essência?  Todos sabemos que há aspectos práticos na vida e que nem sempre é possível fazer só o que desejamos, porém esse tipo de pergunta ajuda um bocado a identificar as atividades que podem ser classificadas como desnecessárias e excluí-las imediatamente, sem dó, liberando tempo para focar no que realmente importa. Uma das consequências do aprimoramento dessa habilidade é que vai ficando cada vez mais fácil identificar e dizer não para compromissos desnecessários.

Chris Gillebeau, autor de “A arte da não conformidade” introduz o conceito de exclusão radical, que pode ser definido como um período de completo afastamento de tudo que sirva como distração de suas prioridades. Nessa fase, a busca é por restringir o número de novos elementos em sua vida para focar de forma consistente em um projeto ou meta específica. Para exemplificar, o autor cita as Think Weeks de Bill Gates, quando a cada semestre o empresário se retira para passar vários dias lendo e pensando. Sozinho e livre de todas as distrações. Se o Bill Gates consegue, acho que é um tanto mais fácil para nós (que não somos megaempresários multibilionários).

O que poderia ser eliminado de sua vida neste momento? Aqueles muitos grupos de Whatsapp que nada acrescentam? Algumas horas em frente a TV? Aquela série da Netflix que você nem está gostando muito, mas virou questão de honra terminar? Aquela reunião semanal sem um objetivo definido? E-mails sem importância que tomam o tempo de atividades importantes? Uma casa cheia de objetos desnecessários? Excesso de compromissos sociais? Cada pessoa é única e só você saberá o que de fato estará na coluna das coisas necessárias ou na coluna das coisas desnecessárias. Uma coisa posso assegurar, dedicar-se a essa observação traz muitos ganhos.

O hábito da exclusão radical nos leva a uma questão-chave: depois de eliminar o que é indesejável, o que devo manter? Depois de diminuir a “bagagem” e as distrações, aprenda a dizer sim, sem culpa, para as atividades que te conectam com sua essência (a gente sempre sabe reconhecê-las), aos relacionamentos que importam, ao aprendizado constante, aos momentos divertidos, aos trabalhos significativos e às atitudes que contribuam para a construção do seu legado.

Dizer não e escolher de forma criteriosa onde colocar sua energia e tempo (que são limitados e, por isso, seus ativos mais valiosos) estão entre os grandes aprendizados dessa vida. Quanto mais o tempo passa, mais acredito que a sabedoria está em eliminar os excessos e deixar o essencial fluir.




Dica do livro do Chris Gillebeau:

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