É possível gamificar

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Gamification é a aplicação de princípios, narrativas e ferramentas de jogos em outros contextos. A estratégia se vale de aspectos lúdicos e tem sido usada como forma de engajamento entre consumidores e marcas; alunos e instituições de ensino; trabalhadores e empresas, etc. Gosto especialmente do incentivo simultâneo à cooperação e à competitividade que esse tipo de estratégia proporciona.

Um erro de entendimento comum em relação às estratégias de gamificação é pensar que elas demandam altos investimentos em TI e ocorrem necessariamente em ambiente virtual. Embora essas sejam as aplicações mais badaladas nos cases sobre o assunto, basta que nos lembremos do quão divertido era jogar nosso jogo de tabuleiro favorito para entender que é possível lançar mão dos bons e velhos recursos offline para se criar uma abordagem bem-sucedida.

Um ótimo exemplo para ilustrar o que estou dizendo, pôde ser encontrado na edição 1.101 da revista Exame. A fabricante inglesa de latas de alumínio Rexam estabeleceu, no ano de 2012, o desafio de aumentar a produção em sua operação brasileira. O primeiro passo foi identificar as necessidades dos funcionários. Duas preferências saltaram aos olhos: clima informal e vontade de ver o trabalho reconhecido. A partir daí, a empresa criou uma abordagem inspirada no futebol e chamou os colaboradores para participar da concepção da estratégia.

A ideia foi criar um campeonato entre os turnos de cada fábrica e entre as várias unidades espalhadas pelo Brasil. Os critérios de pontuação (gols) foram definidos com a participação dos funcionários e incluíam indicadores como produção diária, prevenção de acidentes e qualidade das latinhas produzidas. Cada equipe definiu seu nome e identidade visual, a competição teve início e os resultados passaram a ser expostos diariamente para aumentar a competitividade. Cada dia, uma nova rodada. A empresa estabeleceu uma comunicação constante e informal e, para tal, além de cartazes e e-mails institucionais, foi criado um grupo no Facebook.

Os líderes de cada fábrica definem as premiações que mais agradam os colaboradores daquela localidade e premiam os times vencedores. Além de prêmios individuais e por equipes, as comunidades também saem ganhando. Recordes de produção podem ser premiados com benfeitorias na região onde a fábrica está instalada, segundo outra regra sugerida pelos próprios funcionários.

Resultados concretos foram o aumento significativo da produtividade e da satisfação dos colaboradores, além de 3 anos sem acidentes com afastamento.

Viu só? Sem TI, sem altos investimentos. Apenas colaboração, envolvimento e criatividade.




6 Comentários


  1. Muito boa a sacada da empresa, pegou a paixão nacional, entregou o que os funcionários queriam que era clima informal e reconhecimento, juntou tudo e transformou em um jogo simples sem muitos custos. Fantástico!
    Obrigado pelas informações Kaio.

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    1. Exatamente Guima! Acrescento que a participação da equipe no processo de formulação do programa foi fundamental para o engajamento. Gamification é, de fato, um instrumento poderoso para uma empresa.

      Obrigado por participar!

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  2. Parabéns, pelo artigo, Serrate.
    Gostei do exemplo. Sem muitos custos mas motivacional e com possibilidades de resultados mais que positivos.

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    1. Muito obrigado, Miro!
      Muitas vezes, tendemos a achar que a utilização de ferramentas de gestão está restrita a empresas que possuem grande capacidade de investimentos. Porém, esse e outros tantos exemplos nos mostram que dá para obter resultado com criatividade e engajamento.

      Forte abraço!

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  3. Ótimo exemplo para o momento atual em que estamos vivendo, em que todos têm receio da crise e as oportunidades parecem estar diminuindo. A criatividade é fundamental para contornar essas situações, deixar a equipe mais unida e ainda ter crescimento empresarial. Sem os recursos humanos não há recurso monetário que se sustente!

    Forte abraço.

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    1. Exatamente! E quando as pessoas são empoderadas a participarem da construção de uma estratégia, seja ela qual for, o engajamento se torna realidade e não apenas discurso. O velho e bom “sentimento de dono”.

      Obrigado pelo comentário. Um abraço.

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