Em 2008, o Google lançou o seu navegador de internet, o Google Chrome, e logo os usuários perceberam o quanto ele era superior e mais rápido que seu principal concorrente da época, o Internet Explorer da Microsoft.

O que pouca gente sabe é que uma disputa de bastidores entre as duas empresas antes do lançamento do browser diz muito sobre o filosofia de gestão de pessoas do Google e como este é um pilar do sucesso da empresa.

Uma das crenças fundamentais da organização é a necessidade de elevar a gestão de pessoas ao patamar mais importante da estratégia e torná-la uma preocupação de todos. Nesse contexto, o Google acredita que o foco deve ser o recrutamento e a contratação dos profissionais corretos em oposição aos investimentos no treinamento de suas equipes, opção da maioria das empresas. Esse aspecto se reflete no volume dinheiro direcionado para novas contratações vs. investimentos em treinamento. Convencer os melhores cérebros do planeta a trabalharem na empresa é quase uma obsessão para o Google.

É normal existirem sondagens e processos de convencimento que durem anos até que o candidato aceite.

Nada como um exemplo para tangibilizar, vamos a ele. Na primeira década dos anos 2000, havia uma equipe de engenheiros brilhantes na pequena cidade de Aarhus (Dinamarca). Eles tinha vendido recentemente uma startup e estavam em busca de novos desafios.

A Microsoft foi quem primeiro soube do time e queria contratar todo o grupo. Embora houvesse interesse, a conversa não avançava, pois os engenheiros não queriam se mudar para a sede da empresa de Bill Gates, localizada na cidade norteamericana de Redmond.

Quando a equipe de recrutamento do Google soube da existência dos profissionais, partiu para o ataque com toda sua peculiar agressividade. O leitor pode até pensar: mas quem não gostaria de trabalhar no Google? Aqui cabe uma observação, a empresa sabe que o tipo de profissional que ela procura requer sim um processo agressivo de contratação, pois normalmente são profissionais ou empreendedores bem sucedidos.

Os cérebros que o Google procura não colocam anúncios em classificados.

O caso dos engenheiros dinamarqueses é um bom exemplo sobre até onde o Google pode chegar quando encontra profissionais que se adequam às suas necessidades e expectativas. Enquanto a Microsoft adotou o pensamento óbvio de uma grande empresa e fez suas exigências para a contratação, o Google foi além. Tomou suas medidas habituais, mas também propôs o argumento decisivo: “como ainda não possuimos escritórios em seu país, trabalhem em Aaarhus, abram um escritório para o Google aí e criem coisas grandiosas”.

Toda a equipe foi contratada e foram eles os responsáveis pela máquina virtual JavaScript do Chrome, decisiva para a usabilidade, velocidade e consequente sucesso do navegador.