Os fatores motivacionais de Herzberg

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As abordagens clássicas da administração baseavam-se na concepção do homo economicus. De acordo com essas primeiras teorias, a busca por recompensas salariais e materiais seria a fonte de motivação para o trabalhador. Nesse contexto, o objetivo da gestão era estabelecer uma dinâmica de comando e controle, visando promover a conformidade de comportamentos a partir de incentivos materiais. O pressuposto era: o trabalho é uma atividade desagradável e, por esse motivo, estímulos e recompensas externas devem ser utilizados em troca do esforço do trabalhador.

Com o tempo e as contribuições de pesquisadores pioneiros como Elton Mayo, a importância das recompensas sociais e simbólicas começou a ser considerada.

Frederick Herzberg, um psicólogo e consultor americano, também professor de Administração da Universidade de Utah, deu uma importante contribuição para o estudo da motivação humana ao formular sua teoria dos dois fatores. O conceito apareceu pela primeira vez no artigo One more time: how do you motivate employees?”,  originalmente publicado pela Harvard Business Review em 1968. Para Herzberg, o comportamento das pessoas é orientado por dois fatores:

Fatores higiênicos

São os fatores extrínsecos, as condições gerenciadas pela empresa. Contemplam o ambiente e as circunstâncias em que as pessoas realizarão seu trabalho, além de elementos como salário, benefícios, estilo de supervisão, políticas e regulamentos. Os fatores higiênicos são a matéria-prima das já citadas abordagens clássicas sobre motivação.

As pesquisas de Herzberg constataram que os fatores higiênicos, quando ótimos, apenas evitam a insatisfação do funcionário, porém não provocam a satisfação.  Ou seja, os fatores higiênicos têm um caráter preventivo. Devem existir para evitar a insatisfação.

Fatores motivacionais

Os fatores motivacionais ou fatores intrínsecos são aqueles que estão sob o controle do indivíduo. Os fatores motivacionais se relacionam com as tarefas que o trabalhador desempenha, com a maneira como ele desempenha as tarefas, com as responsabilidades de sua função, com o reconhecimento profissional e, sobretudo, com o sentimento de autorrealização. Dessa forma, quando ótimos, os fatores motivacionais provocam a satisfação.

Ainda segundo a abordagem de Herzberg, os fatores higiênicos e motivacionais são independentes entre si, ou seja, a insatisfação no cargo ou a ausência de insatisfação dependem dos fatores higiênicos; já a satisfação depende da existência dos fatores motivacionais.

Para o pesquisador, a empresa deve prover incentivos materiais e ambientais que neutralizem a insatisfação e propor o enriquecimento de tarefas como forma de possibilitar um ambiente motivador. O enriquecimento de tarefas é a substituição gradual de tarefas mais elementares por outras mais complexas de modo a acompanhar o desenvolvimento individual de cada trabalhador, bem como o oferecimento de um contexto de desafio e evolução. Para ser eficaz, é preciso levar em consideração as características de aprendizado e desenvolvimento de cada indivíduo.

O estudo da motivação é um campo em constante desenvolvimento, sobretudo a partir da segunda metade do século XX. Nesse contexto, a contribuição de Herzberg é até hoje considerada relevante e serviu como referência para uma série de estudos posteriores.




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