Há uma frase que eu sempre repito em aulas, palestras e artigos:

Tecnologia serve para potencializar o que nos faz humanos, o que temos de melhor.

Todos os dias temos incontáveis bons exemplos disso.

Nessa semana, o jornal La Nacion noticiou que um casal cego conheceu o rosto da filha, na décima oitava semana de gestação, por meio da impressão 3D.

Todo pai ou mãe sabe que alguns dos momentos mais especiais de uma gravidez acontecem quando é possível ver o rosto de um filho(a) nas ecografias. Só de terminar essa frase já me vem a emoção que senti quando vi a imagem do rosto da minha filha pela primeira vez.

Daniel Iturria e Silvina Ibarra não viveriam essa emoção, pois ambos não enxergam.

É aí que entram em cena dois profissionais do Instituto Outon de Córdoba, o pediatra Mario Pellizari e o especialista em diagnóstico por imagem Ricardo Ledesma, que já pensavam em utilizar tecnologias de impressão aditiva para materializar os exames que realizam diariamente. 

Como não queriam que a experiência de utilizar a impressão 3D em exames pré-natais virasse apenas mais um souvenir entre tantos já oferecidos aos pais que esperam seus filhos, os profissionais viram na história do casal a oportunidade de atingir um propósito maior. Eles transformaram as imagens da pequena Malena em um molde e com isso Daniel e Silvina puderam conhecer os traços da filha.

Vou repetir: um pai e uma mãe que não podem enxergar puderam sentir as feições de sua filha antes do nascimento por causa da tecnologia de impressão 3D

Tecnologia não é sobre tecnologia, é sobre gente.

O rosto da pequena Malena em imagem impressa pelo Instituto Outon.