Em 2018, optei por utilizar o LinkedIn como minha principal rede social. Tenho produzido conteúdo, participado de debates e consumido bastante material interessante de profissionais que publicam suas ideias por lá. O saldo é positivo até o momento.

Há poucos dias, o seguinte questionamento passou por minha timeline: “desde quando especialista em LinkedIn é profissão?”

Percebi que aquele post resultaria em uma boa troca de ideias e resolvi participar.

Comentei propondo a seguinte reflexão:

“Desde quando a atividade gera valor para alguém e esse alguém está disposto a pagar ao especialista.

Se esses profissionais não tiverem seu valor percebido pelo público ou o conhecimento que eles ofertam não for relevante, o próprio mercado irá peneirar com o tempo.

Não foi a única nova profissão que surgiu na era pós-digital nem será a última.

Minha intenção não é criar polêmica. Quero propor um saudável contraponto, no sentido de que nosso ponto de vista (meu, seu ou de qualquer um de nós, individualmente) é insuficiente para julgar se uma nova profissão é ou não legítima”.

Dois exemplos para tangibilizar minha posição. Se eu fosse um profissional em busca de recolocação no mercado de trabalho e a mentoria de um especialista em LinkedIn me ajudasse a conseguir um novo emprego, o serviço prestado teria muito valor. Se eu, na condição de proprietário de uma empresa, contratasse um especialista para treinar minha equipe de mídias sociais e, após o treinamento, os negócios gerados via LinkedIn aumentassem, o investimento também se pagaria com folga.

O episódio me lembrou uma matéria do início de 2016, que contava a história de Galego, um empreendedor que faturava mais de R$ 15 mil por mês fazendo a curadoria de conteúdos para grupos de WhatsApp. Na mesma linha, eu e vários amigos próximos fazemos parte de uma “franquia” de grupos de WhatsApp que discute futurismo. Os grupos são monetizados por financiamento coletivo recorrente.

YouTuber, desenvolvedor de aplicativos mobile, gerente de mídias sociais, especialista em SEO, analista de big data, dentre tantas outras, são profissões que despontaram nos últimos 10 anos. São atividades inimagináveis para a geração que estava no mercado de trabalho há 30 anos. Não irei me assustar se, em um futuro próximo, passar a me relacionar com profissionais como: guia turístico espacial, coach de inteligência artificial, agrônomo de fazendas verticais, programador de DNA, etc.

Dados do relatório sobre o futuro dos empregos, publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2016, estimam que 65% das crianças que estão começando o primário irão trabalhar em profissões que ainda não existem.

O surgimento e o declínio de novas ocupações serão cada vez maior e mais rápido. É fundamental nos prepararmos para lidar com essa transformação, que é inédita em termos de velocidade e amplitude.

E o lado “ruim” disso?

Retomando o debate que gerou este artigo, enquanto várias profissões que surgem no contexto pós-digital são altamente especializadas, como as que citei anteriormente; outras possuem baixa barreira de entrada, como é o caso dos “especialistas em LinkedIn”. Debater esse aspecto específico era, inclusive, a intenção do autor do questionamento que gerou o debate.

Uma questão crítica, relacionada a qualquer atividade com barreira de entrada baixa ou inexistente, é a probabilidade alta de atrair profissionais despreparados ou mal-intencionados em busca de clientes desesperados. Infelizmente, malandros em busca de dinheiro fácil e ingênuos para cair nesse tipo de lábia sempre existiram e vão continuar por aí. O que tem acontecido, também nesse contexto, é que a tecnologia amplia os efeitos de algo que já existia anteriormente.

Nesse cenário, a solução é manter o senso crítico em estado de alerta e valorizar os profissionais sérios que elevam os padrões de qualidade do mercado.