Três práticas de gestão de Jack Dorsey

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Jack Dorsey cofundou e administrou, quase simultaneamente, duas empresas icônicas do mercado de tecnologia: o Twitter, que dispensa apresentações, e a Square,  cuja proposta de valor é transformar um smartphone em um dispositivo para processamento de pagamentos com cartões de crédito e débito. Ambas as iniciativas transformaram Jack Dorsey em bilionário e fizeram sua fama entre os empreendedores do Vale do Silício.

Seu perfil – publicado pela revista Forbes e republicado no livro Pense como os novos bilionários, organizado por Randall Lane – revela três práticas de gestão, que ajudam a entender um pouco sobre sua forma de pensar e sobre as culturas das empresas que fundou.

A primeira prática relatada por Dorsey é também utilizada por muitos outros empreendedores e foi assunto do texto Ambiente de trabalho como facilitador da inovação e da solução de problemas, que escrevi uns meses atrás. Os escritórios da Square têm amplos espaços e poucas salas e subdivisões. Nas palavras do empresário: “o nosso escritório não tem muitas salas e paredes porque a gente acredita em golpes de sorte e as pessoas têm mais chances de se esbarrar e aprender umas com as outras”.

A segunda prática relatada no perfil traçado pela Forbes é aproveitar esses amplos espaços para sentir como a empresa pulsa. Dorsey relata que passa 90% de seu tempo circulando entre as equipes e conversando com pessoas que não se reportam diretamente a ele. Segundo o empreendedor, ouvir o que as pessoas estão falando e acompanhar como trabalham abre espaço para a espontaneidade e para descobertas.

A terceira, e mais surpreendente, prática de gestão adotada por Jack Dorsey é permitir que todos os funcionários da Square saibam do teor de todas as reuniões. Sim, de todas as reuniões! A regra instituída é: em qualquer reunião, alguém deve ficar responsável por tomar notas e enviá-las à empresa toda. Não importa qual seja o tema. Pode ser a correção de algum bug no sistema, uma nova métrica operacional, indicadores financeiros, discussão de uma nova parceria…enfim, tudo é compartilhado com todos. A Square acredita que qualquer trabalhador pode efetivamente transformar radicalmente os rumos da empresa ao apresentar seu olhar ou uma nova ideia sobre uma questão em discussão, que todos devem saber para que direção a empresa está indo e as razões para isso e, por fim, que confiança e transparência orientam tudo. Outra informação fundamental é que jamais uma informação sensível vazou indevidamente. Um bom exemplo ocorreu quando a Starbucks procurou a Square para negociar o processamento das transações de débito e crédito de todas as suas milhares de lojas. Dorsey anunciou as conversas preliminares para toda a equipe horas depois e não houve nenhum tipo de divulgação. Nenhum post, tuíte, nada.

Ainda que não faça sentido adotar tais práticas na realidade de todas as empresas, são práticas claras e consistentes, como as relatadas por Dorsey, que constroem uma cultura forte e capaz de levar uma empresa até sua visão de futuro.

Vale a reflexão. Quais as práticas de gestão que fazem a diferença na sua empresa?




Livro citado:

4 Comentários


  1. Excelente ponto de partida para uma profunda reflexão. Me dei a liberdade de analisar a gestão da instituição onde eu trabalho sob a ótica dessas três práticas e, nessas horas, a gente percebe que temos muito o que aprender com feras como o Jack Dorsey.

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    1. Grande Bruno! É bem por aí, bro. Sabemos que cada organização tem suas peculiaridades. Esse tipo de reflexão é o que realmente faz sentido. Assim, de mansinho, vamos promovendo nossas (micro) revoluções diárias e do bem. Abração.

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