Muitas vezes durante minha carreira, participei de apresentações de projetos ou ideias que não estavam bem-fundamentadas e, apesar disso, foram aprovadas sem ressalvas. Em algumas dessas vezes, o motivo da aprovação foi uma apresentação em PowerPoint ou programas similares, cheia de técnica e floreios.

Os softwares empresariais gozam de qualidades inegáveis, revolucionaram a forma de trabalhar e são grandes aliados na hora de “vender o peixe”. No entanto, um efeito colateral dos pacotes do tipo Office é o fato de eles tornarem mais fácil a dissimulação de pontos fracos de uma proposta que ainda não está madura o suficiente para ser implantada. Muitas ideias ruins já foram aprovadas em função de uma apresentação elaborada por um ás do Keynote ou do ppt.

Percebendo tal realidade, uma das maiores empresas do mundo adotou uma prática bem peculiar.

A Amazon foi a inventora do comércio eletrônico como nós o conhecemos e, atualmente, é uma gigante do varejo global. Sua logística, por exemplo, pode ser considerada o estado da arte. Outras de suas práticas de gestão também podem originar insights sobre processos internos eficientes, sobre visão de futuro e sobre como colocar o cliente no centro da estratégia.

Um exemplo um tanto incomum é que Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, aboliu o uso de apresentações em PowerPoint na empresa e as substituiu por narrativas de até seis páginas sobre o assunto a ser discutido. A lógica por trás da medida é incentivar o pensamento crítico e o aprofundamento das ideias. No início de cada reunião, todos os participantes dedicam quinze minutos à leitura silenciosa do relatório elaborado pelo proponente e só depois a discussão tem início. A resistência inicial dos funcionários, sobretudo daqueles mais ligados às ciências exatas, não impediu que a prática de gestão se consolidasse.

Segundo Bezos e alguns de seus colaboradores, o PowerPoint é um mecanismo de comunicação impreciso. É mais fácil se esconder por trás de tópicos, gráficos e belas imagens, e você nunca é forçado a expressar seu pensamento por completo.

Jeff Bezos queria que seus funcionários pensassem com profundidade e investissem tempo na expressão coerente dos argumentos.

Posteriormente, a dinâmica foi aperfeiçoada e, nos casos em que o objetivo é apresentar um novo produto ou solução, o relatório deve ser construído na forma de um release para a imprensa. A finalidade é traduzir a essência da ideia ao apresentá-la sob o ponto de vista do cliente.

Ainda que a organização na qual você trabalha seja simpática aos softwares de apresentação, a essência da proposta da Amazon deve ser levada em consideração. Ademais, é sempre bom prestar atenção em Jeff Bezos.

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