O jeito Larry Page de pensar

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Gosto quando livros de negócios tentam desvendar um pouco sobre o jeito de pensar dos empresários que mudam o mundo. O livro Bold, de Peter Diamandis e Steven Kotler, que ganhou o título Oportunidades Exponenciais na versão em Português, traz informações relevantes sobre alguns desses empresários. Larry Page, cofundador do Google, é um dos exemplos citados pelos autores.

No relato de Diamandis e Kotler, impacto revolucionário é o que interessa a Page. Seu hábito de perguntar: “Por que não? Por que não maior?” é constante.

Na conferência de fundação da Singularity University, Page declarou para um público de 150 pessoas que costuma utilizar um indicador bem simples para avaliar iniciativas: “você está trabalhando em algo que pode mudar o mundo?“.

Quando ainda era estudante na Universidade de Michigan ouviu do professor de um curso de verão sobre liderança uma frase que passou a utilizar como slogan. A frase era: “tenha um desprezo saudável pelo impossível”. Aquilo ficou em sua cabeça por anos. O empresário costuma dizer que frequentemente é mais fácil progredir quando você é ambicioso de verdade. Se ninguém mais está disposto a testar algo, você não tem concorrência e obtém as melhores pessoas, porque elas querem trabalhar nos projetos mais ousados. Por essa razão, Page acredita que tudo o que você pode imaginar provavelmente é factível. Basta que você visualize e trabalhe o suficiente no projeto.

Quando a tradução simultânea entre línguas se tornou um projeto para o Google, Larry recrutou alguns pesquisadores de aprendizado de máquina e perguntou se era possível criar um algoritmo para traduzir entre quaisquer duas línguas com mais qualidade que uma tradução feita por uma pessoa. A equipe riu, pois a proposta estava muito distante das possibilidades tecnológicas da época, mas disse que estava disposta a tentar. Poucos anos depois, o Google Tradutor já realizava traduções entre as principais línguas do mundo, gratuitamente e, em muitos casos, melhor que um tradutor humano.

Na visão de Larry Page, outra vantagem desse tipo de abordagem é que mesmo quando o objetivo grandioso não é alcançado, excelentes resultados são colhidos. Um exemplo disso são as pesquisas relacionadas a Inteligência Artificial (IA). Na visão de Page, a IA seria “a suprema versão do Google, o supremo mecanismo de busca”. A máquina entenderia tudo na web, também entenderia com exatidão o que o usuário quer e entregaria exatamente a coisa certa. Esse é um dos principais focos do Google X, a megaestrutura de inovação da empresa, nos dias de hoje. O que nem todos sabem é que as primeiras tentativas de desenvolvimento da IA do Google começaram no ano 2000. A empresa tinha menos de 200 colaboradores à época. Como os fatos mostram, a tentativa não foi bem-sucedida, só que os esforços não foram em vão. O trabalho resultou no Google AdSense, mecanismo de direcionamento de anúncios de pesquisa para as páginas da web. O AdSense vem sendo ao longo dos anos a principal fonte de receita da empresa.

A lógica por trás dessa abordagem é inversa ao que o senso comum nos leva a pensar. Na visão de Larry Page, tomar atitudes ousadas e ambiciosas não aumentam os índices de fracasso. Ao contrário, uma falha em algo ambicioso geralmente resulta em algo bem-sucedido em outra área relevante.




Link para o obrigatório livro Oportunidades Exponenciais.

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