Investimento em aprendizagem é investimento em você

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Esse é daqueles textos que começo sabendo que só escreverei obviedades. Porém, como já afirmei em outras oportunidades, o óbvio precisa ser dito e repetido.

Estava para acontecer a primeira edição de um curso incrível sobre inovação e empreendedorismo no contexto do serviço público. Eu, por acreditar totalmente no projeto e por ele ser produzido por amigos queridos, dei aquele gás na divulgação. Falava do curso cheio de empolgação para os amigos servidores, pois sabia que aquela jornada de aprendizagem poderia fazer a diferença em suas vidas e carreiras.

Alguns toparam e se jogaram, mas qual não foi minha surpresa ao ouvir mais de uma vez: “Cara, parece realmente legal. Mas sabe como é, País em crise…meu órgão cortando despesas…não estão pagando curso para ninguém”. Diante da minha sugestão entusiasmada de que as pessoas fizessem por conta própria, pois valeria à pena, tomei o baque: “Tá maluco? Nem a pau que eu gasto dinheiro fazendo curso para o trabalho. Só você mesmo para sugerir um troço desse. Se eles querem que eu aprenda algo, eles que paguem”. 

 Demorei a assimilar aquele tipo de posicionamento, porém não tardou para que eu percebesse que eu já havia me deparado com visões desse tipo inúmeras vezes ao longo de minha carreira.

Quando ingressei no banco onde trabalhei por dez anos, de longe eu era o que tinha o pior currículo. Todos os meus companheiros de curso de formação tinham curso superior, vários tinham pós-graduação e, alguns, uma longa experiência em grandes empresas. Eu, pelas voltas que o mundo dá, tinha apenas começado a cursar a faculdade de administração e minha experiência no mundo corporativo era de pouco menos de um ano em uma empresa de planos odontológicos. Antes disso, foram anos correndo atrás por conta própria, trabalhando com música e eventos. Empreendia, embora nem conhecesse essa palavra. O fato é que eu estava muito atrás daquela galera e tinha muita diferença para tirar. Já naquele primeiro dia, tomei uma decisão que norteou todos os anos que se seguiram: iria aproveitar toda e qualquer oportunidade de capacitação que passasse na minha frente.

Foi o que fiz. Em termos acadêmicos, terminei minha faculdade, fiz duas pós-graduações e um mestrado (que está quase no final no momento em que escrevo este texto). O banco tem uma universidade corporativa que para quem gosta de aprender é quase a Disney. Fui pra cima e fiz todos os cursos que pude. Durante e, muitas vezes, fora do meu horário de trabalho. Quando tomei conhecimento que existiam certificações internas e de mercado que me agregariam conhecimento e eram valorizadas na empresa, estudei e passei em mais de uma dúzia delas. Além disso, fiz duas formações em coaching e muitos cursos livres em escolas voltadas à inovação, ao design thinking, ao empreendedorismo etc. Assuntos que nem sempre tinham a ver com o cargo que ocupava no momento. Ok, mas esse não é um texto para eu ficar enumerando o que eu já tentei aprender por aí. O ponto é: meu critério jamais foi se meu empregador ia ou não pagar a formação que eu coloquei como meta. Em várias ocasiões tive patrocínio institucional (e sou extremamente grato por isso). Em muitas outras, banquei do meu bolso. Meu critério sempre foi gerir meu aprendizado de forma ativa, entender o que eu desejava aprender, traçar quais seriam meus próximos passos e, depois, se fizesse sentido no contexto da empresa, negociar apoio. Quando não fazia sentido ou meu pedido de patrocínio era negado, dava um jeito de fazer por minha conta. Em muitos momentos ao longo desse tempo ouvi de colegas: “Pra que tu vai fazer isso?”; “Tu acha que o banco vai valorizar isso?”, “Isso não tem nada a ver com seu cargo!”; “Eu é que não vou gastar minha energia com isso sem garantia de que terei alguma contrapartida”. Enfim, deu para entender porque me lembrei disso tudo ao me deparar com as afirmações dos meus amigos quando indiquei o curso, né?! No fim das contas, percebi que aquele tipo de posicionamento é, na verdade, bem comum. Não havia motivo para espanto. Já havia visto esse tipo de comportamento se manifestar muitas vezes.

Sabe o que eu penso a respeito? Sempre enxerguei esse empenho como uma relação ganha-ganha. Claro que o empregador sai ganhando se você investe em capacitação por conta própria. Que mal há nisso, na medida em que esse retorno também vem para você? Estar aberto ao ambiente externo, sempre me fez bem profissionalmente. Ao buscar conhecimento que não estava no radar do meu empregador, consegui propor e participar de projetos que me trouxeram reconhecimento, retorno financeiro e ainda mais aprendizado. É um círculo virtuoso.

Agora que estou iniciando um novo ciclo profissional, sabe onde foi parar esse aprendizado e experiência? Continua todo aqui comigo. Todo meu investimento financeiro, de tempo e de energia foi realmente utilizado em benefício da empresa enquanto estive por lá, mas também em benefício dos meus projetos paralelos que ocorreram no mesmo período.  Agora, no momento em que outra etapa começa, estão aqui, fundamentando os novos passos da minha jornada profissional.

Tem uma lição que ouvi milhares de vezes da minha mãe ao longo de toda minha vida: “conhecimento ninguém te tira”. Sigo acreditando nisso e investindo em mim. Jamais me arrependi. Entender que você é seu maior empreendimento e merece todo investimento faz muita diferença ao longo do tempo.

Termino este texto (em que realmente só escrevi obviedades) com uma frase do Alvin Toffler que conheci por meio do meu amigo e mentor Tiago Mattos: “Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender”.




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