Produto Mínimo Viável e como ele pode ajudar sua empresa

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O caminho (ainda) comum para abertura de uma empresa é fazer uma ou outra pesquisa de mercado, partir para o investimento, abrir as portas e torcer para que os clientes apareçam. Muitas vezes, um novo empreendedor investe as economias de uma vida de trabalho e somente ao colocar seu negócio na rua vai saber se o seu projeto é viável ou não. É um salto de fé absurdo. Absurdo e arriscado. Aquelas estatísticas sobre a maioria dos negócios morrerem logo nos primeiros anos têm muita relação com esse processo tradicional.

O conceito de Produto Mínimo Viável ou MVP (do inglês Minimum Viable Product) ganhou força no contexto das startups e significa uma versão simplificada de um produto, elaborado e lançado com uma quantidade mínima de esforço, tempo e dinheiro. A função primordial de um MVP é testar uma premissa de negócio no ambiente real do mercado. Se antes um produto era lançado em sua versão final e só então era possível medir a reação dos consumidores, o conceito de Produto Mínimo Viável permite que as hipóteses de um modelo de negócio sejam testadas à medida que vão sendo construídas, reduzindo riscos, permitindo adaptações e aumentando as chances de sucesso.

Frank Robinson, CEO da SyncDev, foi quem criou o conceito em 2001, mas foi Eric Ries quem o popularizou 10 anos mais tarde em seu best-seller, The Lean Startup.

Para ilustrar, alguns exemplos muito citados de empresas bem-sucedidas que, em seu início, souberam utilizar com maestria o MVP.

1 – Vender Sapatos pela internet dá certo?

A Zappos é a maior sapataria online do mundo e hoje, além de vender outros artigos de vestuário, pertence à Amazon, a gigante do comércio eletrônico mundial. A empresa também é reconhecida como referência em bom atendimento ao consumidor.

Seu fundador, Nick Swinmurn, imaginou ser possível vender sapatos em larga escala via internet por meio de uma experiência superior de atendimento virtual. Ele não esperou um longo tempo para planejar seu negócio, nem investiu em galpões, grandes estoques e em uma logística complexa para validar sua hipótese (pessoas suficientes gostariam de comprar sapatos via internet). A opção de Nick foi fazer um experimento simples. O empreendedor procurou as sapatarias da cidade e perguntou se poderia tirar fotos dos estoques. Em troca, ele postaria as fotos online e voltaria para comprar os sapatos pelo preço da loja se os clientes fizessem os pedidos pelo site. O resultado foi a percepção que já havia demanda suficiente para comércio eletrônico de sapatos e que valeria à pena prosseguir. Ideia validada.

2 – Consumidores se interessariam por cupons de descontos fornecidos pela internet?

O outro exemplo é o Groupon, negócio cuja ideia deu origem a uma enormidade de empresas seguidoras e ao fenômeno das “compras coletivas” pela internet. Para validar sua premissa (cupons de desconto online eram um bom negócio), seus fundadores criaram um blog gratuitamente no WordPress, no qual faziam um post diário e geravam os cupons em pdf a cada pedido. A primeira oferta, que resultou de um acordo com uma pizzaria localizada no mesmo prédio do primeiro escritório do Groupon, consistia na possibilidade de comprar duas pizzas pelo preço de uma e foi adquirida por 20 consumidores. Sem burocracia, sem planos de negócio detalhados e quase sem nenhum dinheiro envolvido.

3 – Devo largar meu emprego para vender sucos?

Em 1999, três jovens ingleses tiveram a ideia de criar uma marca de sucos naturais com sabores inusitados e embalagens criativas. Antes de começar o negócio pra valer, os amigos montaram uma banca de sucos em um festival de música. Cada cliente recebia o suco e uma ficha para responder “sim” ou “não” à pergunta: “devemos largar nossos empregos para vender sucos?” Ao final do festival, a caixa onde as respostas eram depositadas tinha muito mais votos favoráveis ao empreendimento e nascia a Innocent Drinks, marca de sucos naturais reconhecida por sua abordagem de comunicação criativa e informal.

4 – E se eu tivesse um pen drive na rede?

O início do Dropbox é mais um ótimo case sobre MVP. O estudante Drew Hudson fazia uma viagem de ônibus em 2007, quando percebeu que havia esquecido seu pen drive. O esquecimento levou ao insight do quanto seria bom se existisse uma espécie de “pen drive na internet”. A ideia parecia ótima, mas será que outras pessoas achariam o mesmo?

Construir um MVP de um serviço de armazenamento e compartilhamento de arquivos pode ser algo bem caro e complexo, mas a premissa que a equipe de fundadores do Dropbox buscou responder era se, de fato, a sincronização de arquivos era uma dor do cliente a ser resolvida. Para buscar a validação, enquanto desenvolviam o produto, resolveram criar um site simples e um vídeo de cerca de 4 minutos, no qual apresentavam as funcionalidades da ferramenta (com linguagem e referências que os adotantes iniciais adoraram). Resultado: 75 mil interessados cadastrados em poucos dias.

O Produto Mínimo Viável é a maneira mais rápida e simples de testar e obter feedback do mercado para cada hipótese de negócio estabelecida. Um mesmo produto ou serviço pode, inclusive, ter várias versões de MVP, cada qual para testar um aspecto do modelo de negócio.

Neste ponto, cabe fazer uma grande ressalva, Produto Mínimo Viável não é uma versão feita às pressas e mal-acabada de um produto. Um grande risco é o empreendedor fazer algo sem qualidade e deixar de validar uma ideia boa. O MVP deve ser um produto-teste construído estrategicamente para validar uma hipótese do modelo de negócio e isso é bem diferente de um produto mal-feito.

Acredito fortemente que o MVP não é válido apenas para startups modernosas do Vale do Silício e pode sim ser usado em uma grande e tradicional corporação, em uma microempresa brasileira ou em qualquer outra iniciativa empreendedora.

Para saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura do obrigatório livro A Startup Enxuta de Eric Ries.




10 Comentários


  1. Muito bom texto. No empreendedorismo é preciso testar as premissas antes, o que torna possível minimizar os riscos. Serve como inspiração os exemplos de grandes empresas que deram o primeiro passo de forma simples, barata e criativa.

    Parabéns pelo conteúdo!

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  2. Boa leitura para empreendedores em pequena escala que seja. ..Testar e apostar!

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    1. Grande Abi!

      Valeu pela visita. Feedback e participação são muito importantes.

      Conte comigo, abração! #mindsetexponencial

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