O que um concurso da Netflix pode nos ensinar sobre inovação

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A quantidade cada vez mais expressiva de programas de aceleração de startups idealizados e financiados por grandes corporações prova como essas empresas perceberam a importância de captar a inovação no ambiente externo. Nesse contexto, vale ressaltar que programas de aceleração não são a única possibilidade. Outra forma, geralmente mais barata e adequada para resolver um problema específico, são os concursos de incentivo.

Neles, uma empresa propõe um desafio, estipula uma premiação e engaja a comunidade na busca pela resolução da questão proposta.

No ano de 2006, a Netflix decidiu focar na melhoria de seu algoritmo de recomendação de filmes. Para que o desafio não ficasse restrito aos seus engenheiros e demais funcionários, lançou um concurso que premiaria com US$ 1 milhão quem conseguisse melhorar em 10% o processo de recomendação.

O concurso teve mais de 50 mil inscritos, provenientes de 186 países, que receberam dados de 100 milhões de avaliações feitas por usuários para trabalhar. A previsão era que o processo durasse 5 anos. Ao todo foram recebidas mais de 44 mil propostas válidas e o concurso terminou em 2009, antes do prazo previsto, quando uma das propostas alcançou o objetivo e recebeu o prêmio.

Essa história traz duas lições principais. A primeira delas diz respeito ao fato de estar aberto ao ambiente externo. Quando isso acontece, o potencial de captar/desenvolver soluções inovadoras cresce exponencialmente. No caso da Netflix, por mais qualificada que fosse sua força de trabalho, dificilmente seriam geradas 44 mil soluções possíveis para um problema específico. A outra lição está em um ponto que pouca gente sabe. O algoritmo vencedor não foi implementado. Se você prestou atenção ao ano em que o concurso aconteceu, provavelmente percebeu que na época a Netflix ainda não era a Netflix que conhecemos hoje e seu principal negócio era a locação de DVDs. A equipe vencedora, desenvolveu uma solução totalmente adequada a esse negócio e em 2009 a Netflix já estava caminhando para o mercado de streaming. Nessa nova realidade, o algoritmo desenvolvido não fazia sentido. Que prejuízo, não? Não. Provavelmente, uma solução desenvolvida internamente teria um custo maior. O apego emocional também seria um problema, pois muitos técnicos e gestores teriam trabalhado intensamente no projeto e, provavelmente, pressionariam para que ele fosse implementado. Outra questão fundamental é pensar sobre qual teria sido o custo de insistir mais tempo no mercado de DVDs? Como não havia apego emocional, foi mais fácil simplesmente deixar a ideia de lado e focar na reinvenção da empresa.

Resumindo, ao instituir um prêmio de incentivo para resolver um problema específico, a Netflix captou inovação externa em uma escala muito maior do que suas potencialidades internas, fez isso por um custo muito menor e tornou irrelevante as questões políticas quando simplesmente decidiu não implementar a proposta vencedora, pois o negócio já havia mudado.

Ainda que a empresa possua um quadro de funcionários altamente especializado, por que excluir a possibilidade de contar com o talento e a capacidade de TODOS os outros profissionais especializados existentes no mundo? Parcerias e colaboração podem potencializar as competências do negócio.  Olhar além dos portões é sempre saudável quando falamos em inovação.




Para saber como o pensamento exponencial muda a concepção das empresas:

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