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Networking consiste na prática de estabelecer e manter uma rede de relações profissionais para alavancar objetivos comuns e oportunidades de negócios.

Quando o conceito é trazido para o ambiente corporativo percebemos muitos exageros e distorções.

Durante toda a minha vivência em empresas, sempre me incomodei com ações chamadas de networking, mas que, na essência, se resumiam a “puxa-saquismo”, falsidade e autopromoção.

Aquele funcionário que ri de todas as piadas sem graça dos superiores. O outro que tem um cronograma de almoços milimetricamente planejado com pessoas das quais ele não gosta e em restaurantes que ele não pode pagar. O tipo “amigão” que vai em todos os happy hours, ainda que isso signifique sua ausência constante na família. O funcionário que deixa de alertar para possíveis riscos ou de fornecer alternativas para não contrariar a opinião do superior. São inúmeros os exemplos, e tem até aqueles que são peritos em todas essas práticas simultaneamente.

O ponto comum nas situações descritas é que as atitudes não são verdadeiras, apenas camuflam o interesse de quem só está pensando em si e em avançar na escalada corporativa.

Quer saber uma verdade?

Isso funciona em grande parte das empresas, e existem muitos profissionais que constroem suas carreiras com base nesse tipo de expediente.

Também não sou ingênuo de achar que relacionamentos não são importantes. No fim das contas, pessoas fazem negócios com pessoas. Pessoas trabalham com pessoas nas quais confiam. Gestores precisam de um time que esteja unido e coeso.

Daí vem a questão: se eu nunca topei me pautar por esse networking interesseirocomo foi que eu construí uma carreira em uma grande empresa? Como é que eu continuo construindo minha rede profissional na condição de empreendedor?

A resposta é simples e pode ser resumida em três conceitos: interesse genuíno, escuta ativa e colaboração.

Sempre fui curioso e inquieto, e essas características também me ajudam profissionalmente, pois me interesso (de fato) por conhecer as ideias e os projetos de outras pessoas. Transformei em hábito a curiosidade sobre o trabalho de outros profissionais. E, ao perguntar, tento entrar no universo daquele profissional e entender em profundidade as experiências que ele tem para compartilhar.

Escutar de forma ativa (e não pensando em um comentário inteligente para dizer em seguida ou tentando levar a conversa para objetivos previamente calculados) é uma excelente fonte de adquirir conhecimento. Além de aprender um bocado com a experiência do outro, esse hábito naturalmente revela afinidades e conexões. Foi a partir dele que construí minhas melhores parcerias profissionais. Muitas delas, inclusive, evoluíram para a amizade.

Atribuo isso ao fato de não terem iniciado em um contexto de interesse mesquinho, e sim de uma curiosidade autêntica.

Interesse genuíno e escuta ativa são, portanto, meu melhor filtro tanto para reconhecer afinidades e possibilidades profissionais quanto para manter distância de trabalhos com os quais não me identifico.

A partir daí, esteja realmente disposto a colaborar com projetos em que existiu identificação. Não porque você ganhará algo em troca, mas porque eles são legais, devem ser implementados e você tem algo a contribuir nesse sentido.

Em primeiro lugar, gere valor para o outro.

Acredite: de alguma forma um ciclo virtuoso é estabelecido, e muita gente bacana também vai contribuir com os seus projetos. Colabore sempre!

Dar a devida importância às pessoas, a seus projetos e a suas ações é o meu melhor networking.