Minha dica sobre networking

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Networking é a prática de estabelecer e manter uma rede de relações profissionais para alavancar objetivos comuns e oportunidades de negócios.

Um problema pode surgir quando a gente traz o conceito para o ambiente corporativo e percebe muitos exageros e distorções. Durante toda minha vivência em empresas, sempre me incomodei com ações chamadas de networking, mas que na essência se resumem a puxa-saquismo e falsidade. Aquele funcionário que ri de todas as piadas sem graça dos superiores. O outro que tem um cronograma de almoços milimetricamente planejados com pessoas que ele não gosta, em restaurantes que não pode pagar. O tipo amigão que vai em todos os happy hours, ainda que isso signifique sua ausência constante na família. O funcionário que deixa de alertar para possíveis riscos ou de fornecer alternativas para não contrariar a opinião do superior. São inúmeros os exemplos e tem até aqueles que são peritos em todas essas práticas simultaneamente. O ponto comum nas situações descritas é que as atitudes não são verdadeiras, apenas camuflam o interesse de quem só está pensando em si e em avançar na escalada corporativa.

Quer saber uma verdade? Isso funciona em grande parte das empresas e existem muitos profissionais que constroem suas carreiras com base nesse tipo de expediente. Também não sou ingênuo de achar que relacionamento não é importante. No fim das contas, pessoas fazem negócios com pessoas. Pessoas trabalham com pessoas nas quais confiam. Gestores precisam de um time que esteja junto. Daí vem a questão: se eu nunca topei me pautar por esse networking interesseiro, como foi que eu construí uma carreira em uma grande empresa? Como é que eu continuo construindo minha rede profissional?

A resposta é simples e pode ser resumida em dois conceitos: interesse genuíno e escuta ativa. Sempre fui curioso e inquieto e essas características também me ajudam profissionalmente, pois me interesso (de fato) por conhecer as ideias e projetos de outras pessoas. Transformei em hábito a curiosidade sobre o trabalho de outros profissionais. E, ao perguntar, tento entrar no universo daquele profissional e entender em profundidade as experiências que ele tem para compartilhar. Escutar de forma ativa (e não pensando em um comentário inteligente para dizer em seguida ou tentando levar a conversa para objetivos previamente calculados) é uma excelente fonte de conhecimento. Além de aprender um bocado com a experiência do outro, esse hábito naturalmente revela afinidades e conexões. É a partir dele que construí minhas melhores parcerias profissionais. Muitas delas, inclusive, evoluíram para a amizade. Atribuo isso ao fato de não terem iniciado a partir de uma visão interesseira e sim de uma curiosidade autêntica. Interesse genuíno e escuta ativa são, portanto, meu melhor filtro tanto para reconhecer afinidades e possibilidades profissionais quanto para manter distância de trabalhos com os quais não me identifico.

A partir daí, esteja realmente disposto a colaborar com os projetos onde existiu identificação. Não porque você ganhará algo em troca, mas porque aquele projeto é legal, precisa acontecer e você tem algo a contribuir. Acredite, de alguma forma um ciclo virtuoso é estabelecido e muita gente legal também irá contribuir com os seus projetos.

Dar a devida importância às pessoas, seus projetos e suas ações é meu melhor networking. 



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