Os novos especialistas da nova administração

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Sabe aquelas ideias malucas de jovens que abrem suas empresas em locais como garagens e dormitórios de faculdade? Elas são a matéria-prima das novas teorias da administração e são cada vez mais aceitas nos meios tradicionais.

Veículos de imprensa com foco em negócios deram destaque à estreia de novos pensadores oriundos do ecossistema das startups no prestigioso ranking Thinkers 50, publicado a cada dois anos. Eric Ries, Steve Blank e a economista Nilofer Merchant passaram a fazer parte, em 2015, de uma lista global que reúne os maiores pensadores da administração.

Eric Ries já fundou e investiu em diversas empresas de tecnologia e é o criador da metodologia Lean Startup. Steve Blank trabalhou em empresas no Vale do Silício, leciona em Universidades como Stanford, Columbia e Berkeley, fundou 8 startups e é criador da abordagem de Desenvolvimento de Clientes. Já a economista e escritora Nilofer Merchant trabalhou na Apple, fundou a consultoria Rubicon, escreve para a Harvard Business Review e é uma especialista em ferramentas sociais. Para a autora, relacionamento na era social é como eficiência operacional na era industrial.

As  três primeiras posições da lista são ocupadas por três autores consagrados: Michael Porter (pesquisador de Harvard, um dos grandes especialistas em estratégias empresariais e criador de conceitos como as 5 Forças do ambiente de competição e Vantagem Competitiva); Clayton Christensen (também professor de Harvard e autor de O Dilema da Inovação) e a dupla W. Chan Kim & Renée Mauborgne (professores da escola francesa Insead e autores da Estratégia do Oceano Azul). A comparação entre os dois grupos de autores permite constatar diferenças significativas. Enquanto os estreantes da lista são ex-executivos, empreendedores e investidores, os líderes do ranking são intelectuais com sólidas carreiras nas principais universidades do mundo.

Embora não constem na lista, podem ser citados, de forma não exaustiva,  como integrantes desse novo rol de gurus de negócios na era do conhecimento: Salim Ismail, diretor da Singularity University e autor do livro Organizações Exponenciais; Peter Diamandis, autor do já clássico Abundância, investidor e cofundador da Singularity; e  Chris Anderson, físico, escritor e editor da revista Wired.

O surgimento de novos especialistas, com perfil mais prático e, em alguns casos, sem qualquer ligação com institutos de pesquisa e universidades pode ser explicado pela dinâmica da nova economia: tecnológica, fluida, criativa e exponencial.

O próprio Steve Blank aborda o assunto ao citar que o currículo dos tradicionais MBAs ainda é focado em competências características de empresas da Era Industrial, tais como: contabilidade de custos, estratégia, finanças, gestão de produto, engenharia, administração de pessoal e operações. O programa de MBA que deu origem aos demais, Harvard, foi iniciado em 1908 e algumas das ferramentas de gestão ainda hoje ensinadas, têm mais de 100 anos.

Segundo o autor, o tradicional currículo do MBA para aplicação em grandes companhias não funciona em startups. Na verdade, pode até ser prejudicial.

Blank propõe como aspectos emergentes da nova área de administração do empreendedorismo:

  1. Desenvolvimento Ágil, uma abordagem interativa e incremental de engenharia que permite que o desenvolvimento do produto seja reformulado ou rearticulado em função do feedback do cliente e do mercado.
  1. Configuração do modelo de negócio, o qual substitui planos de negócio estáticos por um mapa de nove boxes com os elementos-chave que compõem uma companhia.
  1. Criatividade e ferramentas inovadoras para gerar e fomentar ideias vencedoras.
  1. A startup enxuta, uma interseção do cliente com o desenvolvimento ágil.
  1. Design enxuto da interface do usuário para aprimorar interfaces digitais e taxas de conversão.
  1. Risco e empreendedorismo financeiro, para atrair e gerenciar fundos que promovam inovação.

Não estou dizendo e nem acredito que todo conhecimento tradicional no campo da gestão deve ser substituído pela lógica das startups. Não é isso.

Uma olhada na lista Thinkers 50 deixa muito claro que o trabalho dos 50 autores citados ainda será relevante por muitos anos. Apenas é importante estar atento, pois ideias que há pouco tempo atrás eram restritas a um grupo de jovens empreendedores e suas empresas iniciantes, agora ganham o respeito do meio acadêmico e empresarial. Eric Ries, por exemplo, é consultor pessoal de Jeff Himmelt, presidente da GE.

Está em vantagem quem já percebeu que a era do conhecimento já tem seus pensadores e teorias e que estar atento a esse novo cenário pode garantir o sucesso nos transformadores anos que virão.




Dicas de livros dos novos membros da Thinkers 50:

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