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Todos os dias vejo posts sobre eventos de inovação dentro das corporações.

Todos felizes, disruptivos e satisfeitos com a iniciativa.

A foto postada no LinkedIn é a cereja do bolo desse momento sublime.

A cada vez que vejo essa imagem, e isso acontece algumas vezes por dia, penso cá com meus botões: nunca vai dar certo.

A inovação nasce do desconforto, do inconformismo e, sobretudo, da necessidade. 

Não é sobre querer inovar, é sobre perceber novas necessidades do mercado e colocá-las acima das suas vontades.

É sobre ser atropelado pela consciência inequívoca de que o negócio em que você está se tornou obsoleto, morreu, perdeu o bonde da História, e a maioria dos envolvidos ainda não percebeu.

Você é o passageiro da terceira classe que viu o navio bater no iceberg, enquanto os grã-finos tomam champanhe no salão de gala. 

É preciso fazer algo para sobreviver.

Fazer rápido. 

Fazer agora.

O inovador é, antes de tudo, um traidor.

É o defraudador do status quo.

É aquele que tem senso de urgência, enquanto todos querem manter as coisas mais ou menos como estão.

Afinal, sempre foi assim e sempre funcionou.

O inovador subverte a política vigente, cria confusão, desagrada superiores.

Inovação não está na palestra do consultor que fez cursinho nas escolas gringas da moda, mas nunca correu um risco sequer na vida.

Inovação nunca será sala colorida, adultos brincando de Lego, dobrando aviõezinhos de papel, e colando post it’s com frases vazias na parede.

Ferramentas e metodologias são apenas meios.

Podem ser, em certa medida, facilitadoras do processo. 

Nunca o cerne do processo.

Se não tem pele em risco e frio na barriga, a chance é que seja conversa para boi dormir de executivo que quer ficar bem na foto para garantir o bônus.

Se der errado, quanto você perde?

Se não está doendo, sinto lhe dizer: você está apenas brincando com o capital alheio.

Sua inovação é apenas verniz.

Mas fique tranquilo, pois 90% das empresas estão fazendo o mesmo.

Discurso bonito sem mudança de fato.

Os inovadores serão sempre a minoria.

O inovador não inova porque quer, inova porque precisa.