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Acredito na competição saudável. 

O desejo de superar o desempenho de alguém que admiramos é um importante gatilho para a evolução individual. 

Todos os envolvidos se beneficiam ao dar o melhor de si para superar um obstáculo ou um oponente, desde que os esforços sejam pautados pela lealdade.

Um atleta jamais chegaria ao ápice de seu potencial sem a pressão dos concorrentes que também buscam seu próprio auge. 

A metáfora é válida para o ambiente profissional, na medida em que nos fortalecemos e contribuímos para o desenvolvimento do outro quando competimos de forma limpa.

O problema surge quando competir se torna um jogo de egos, e quando a disputa tem como objetivo aniquilar o outro para atingir objetivos individuais. 

É neste ponto que o ambiente corporativo revela o pior do ser humano. 

Como não cair nessa armadilha?

Investir e desenvolver novos conhecimentos e competências é condição essencial. Confiar na própria capacidade permite planejar o desenvolvimento profissional em uma dimensão superior às disputas por pequenos poderes.

Outro aspecto fundamental é desenvolver relacionamentos positivos.

Um bom primeiro passo é investigar o que você sente quando um colega de trabalho conta sobre uma conquista profissional ou sobre um triunfo pessoal.

O modo como nos comportamos em situações assim pode fortalecer um relacionamento ou miná-lo. 

Shelly Gable, professora de psicologia da Universidade da Califórnia, demonstrou que o modo como você comemora diz mais sobre relacionamentos fortes do que o modo como você briga.

Existem quatro formas básicas de responder ao triunfo alheio. Apenas uma delas ajuda a estabelecer relacionamentos positivos.

As quatro reações

Situação: um colega de trabalho diz que foi promovido e recebeu um aumento significativo no salário.

Resposta ativa e construtiva – apoio autêntico e entusiástico

“Que maravilha! Sei o quanto essa promoção era importante para você . Me conte como aconteceu? Como você está se sentindo? Estou orgulhoso de você! Precisamos sair para celebrar”!

O interlocutor mantém o contato visual, demonstra emoções positivas, e sorri de maneira sincera.

Resposta passiva e construtiva – apoio moderado

“Que boa notícia! Você merece”!

Pouca ou nenhuma expressão de emoção. O interlocutor não sustenta o contato visual.

Resposta ativa e destrutiva – ressaltar os aspectos negativos do evento

“Vem muito trabalho e responsabilidade pela frente. Você está ciente que passará pouco tempo em casa? Acabou o tempo livre com a família, os cuidados com a saúde e os momentos de lazer”.

O interlocutor sinaliza as emoções negativas, tais como alterações vocais, testa franzida e semblante fechado.

Resposta passiva e destrutiva – ignorar o evento

“Precisamos terminar aquele relatório. Você já mandou aquele e-mail para agendar a reunião”?

O interlocutor ignora o que foi dito, não mantém contato visual, dá as costas, e sai do ambiente.

E aí, você se reconheceu em alguma dessas quatro reações?

A maioria de nós já sentiu emoções negativas diante do sucesso alheio.

A boa notícia é que podemos desenvolver a postura ativa e construtiva. Podemos pautar nossas relações a partir de um olhar positivo por meio da prática deliberada.

Pratique 

Escute ativamente toda vez que alguém com quem você se importa contar algo bom que lhe aconteceu.

Exercite a presença: responda atenta e construtivamente.

Pergunte pelos detalhes. Quanto mais a pessoa reviver seu momento feliz, melhor para ambos. Responda com empatia e atenção. Valorize a conquista alheia.

Faça isso intencionalmente por uma semana inteira e registre os detalhes das conversas em um bloco de anotações para aprender sobre seus padrões comportamentais.

Essa é uma técnica que se estabelece com o tempo. Embora não venha naturalmente para a maior parte de nós, pode ser desenvolvida por meio da prática até que se torne um hábito.

O ciclo se retroalimenta: você começa a praticar; as pessoas começam a querer passar mais tempo ao seu lado e partilham mais suas vivências; você se sente melhor em relação a si mesmo; e isso fortalece a capacidade de adotar uma postura ativa e construtiva.

Contribuir para o bem-estar alheio, também é construir o próprio bem-estar. 

Alegrar-se com as conquistas dos outros te faz uma pessoa melhor.