Você sabe o que é coaching?

Tempo de leitura: 6 minutos

Uma das experiências mais legais que vivi no ano de 2016 foi fazer minha primeira formação em coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching. Além de me permitir ajudar gestores e profissionais em suas trajetórias, as técnicas e metodologias passaram a me ajudar no gerenciamento da minha própria carreira e na minha atividade de educador corporativo.

A ideia é começar a dividir também em forma de textos, um pouco dessa minha busca e desse meu aprendizado. O coaching tem crescido no Brasil, mas ainda é um campo de conhecimento pouco compreendido pela maioria das pessoas. Creio que um bom primeiro passo é abordar as principais diferenças entre o coaching e outras atividades. E aí, você sabe o que é e o que não é coaching?

Coaching não é mentoria

O processo de mentoria envolve a passagem de experiência e conhecimento de um especialista em uma atividade específica ou um profissional mais sênior para outro profissional. É o que ocorre por exemplo quando um mentor é designado para orientar um jovem gestor ou um trainee. O processo está focado basicamente na passagem de vivências e conhecimentos individuais e envolve o ato de aconselhar.

O coach não dá conselhos e não fornece soluções baseadas em suas experiências pessoais.  O processo de coaching visa que o próprio indivíduo (ou coachee) encontre e implemente suas soluções.

Coaching não é consultoria

De acordo com o Sebrae, consultoria é um tipo de prestação de serviço que um profissional qualificado e conhecedor do assunto oferece ao mercado, realizando diagnósticos e elaborando processos com o propósito de levantar as necessidades do cliente, identificar soluções e recomendar ações. Com as informações levantadas o consultor desenvolve, implanta e viabiliza o projeto de acordo com a necessidade específica de cada cliente.

Como pode ser observado, os processos de coaching e consultoria têm finalidades diferentes. Mesmo nos casos de coaching executivo ou profissional, o foco é o indivíduo dentro do contexto organizacional. O coach tem como objetivo estimular a reflexão e o autoconhecimento para que o próprio cliente defina sua trajetória de aprimoramento. Já o consultor elabora análises, diagnósticos e propõe ações de melhorias com base em sua expertise.

Coaching não é autoajuda

Aqui é onde talvez ocorram as maiores confusões de conceitos e onde profissionais sem formação e expertise atuem se autointitulando coaches.

O rótulo autoajuda costuma ser aplicado a profissionais e autores com as mais diferenciadas formações, experiências e conhecimentos, não constituindo um corpo de conhecimentos consolidado e validado cientificamente. Na literatura de autoajuda é muito comum a utilização de fórmulas e receitas por meio das quais os indivíduos terão sucesso, vão enriquecer, serão mais felizes, saudáveis, viverão melhor, etc.

O coaching, por sua vez, possui: (i) um corpo consolidado e validado de práticas; (ii) não utiliza “fórmulas” e sim metodologias validadas por meio de pesquisas; (iii) quando utiliza conceitos como satisfação, bem estar, sucesso, realização, dentre outros, faz isso baseado em fontes cientificamente comprovadas e reconhecidas, como a psicologia positiva, por exemplo; e (iv) não promete resultados milagrosos e sim apoia o cliente no processo de descobrir seu máximo potencial para atingir os resultados que fazem sentido para o próprio cliente.

Coaching não é psicoterapia

O coaching se utiliza de muitos conceitos da psicologia, contudo o processo de coaching não pode ser confundido com psicoterapia. A diferenciação entre as áreas é tão delicada quanto necessária de ser feita e bons profissionais de coaching deixam este aspecto bem claro desde o primeiro contato com um novo cliente.

Conforme o Art. 1o da Resolução 10/2000 do Conselho Federal de Psicologia, a Psicoterapia é prática do psicólogo por se constituir, técnica e conceitualmente, um processo científico de compreensão, análise e intervenção que se realiza através da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e pela ética profissional, promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos.

Embora muitos psicólogos acrescentem a formação em coaching ao currículo e também passem a exercer a atividade, como é possível verificar pela definição citada, a psicoterapia é prática do psicólogo. Outra diferença fundamental é que o coach não trabalha com indivíduos disfuncionais ou com quaisquer distúrbios ou problemas de ordem psicológica. A atividade de coaching é restrita a indivíduos funcionais.

Vale ressaltar ainda os seguintes aspectos: (i) algumas abordagens de psicoterapia consideram o passado dos indivíduos, enquanto o coaching foca o presente e a construção de um futuro desejável; (ii) a psicoterapia também investiga causas e seus resultados nem sempre são específicos ou mensuráveis, enquanto no coaching o foco é mais no “como” construir o objetivo desejável e seus resultados são sempre específicos e mensuráveis; (iii) o psicólogo pode realizar um diagnóstico e estabelecer as intervenções que considera mais adequadas, enquanto o coach ajuda o próprio cliente a identificar seus desafios e metas e o caminho a ser percorrido para atingi-las; (iv) por fim, a relação entre coach e coachee não é de especialista e paciente e sim de parceria e facilitação para que o coachee desenvolva suas potencialidades e implemente suas soluções.

Ok, mas afinal o que é coaching?

As diferenças entre práticas citadas acima já dão bons indícios do que é o coaching e do que se ocupa um coach, porém definições aceitas pelo mercado são sempre de grande valia.

A Sociedade Brasileira de Coaching define o coaching como um processo que visa aumentar o nível de resultados positivos de indivíduos, times ou empresas por meio do uso de técnicas e ferramentas por um profissional habilitado (o coach), em parceria com o cliente ou coachee.

Já a International Coaching Federation (IFC) define como coaching o estabelecimento de uma parceria com os clientes em um processo estimulante e criativo, que os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional.

Ou seja, o trabalho do coach é ajudar as pessoas a realizarem coisas. É descobrir por meio de uma relação de parceria quais são os objetivos do cliente, descobrir e desenvolver suas potencialidade e ajudá-lo a elaborar o melhor trajeto para de um ponto A (onde ele está) até um ponto B (onde ele quer estar). O foco será sempre em soluções.

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Se você gostou do texto, deixe seu feedback e suas dúvidas nos comentários e me ajude a descobrir quais outros aspectos sobre coaching você deseja ler nos próximos textos.




Na medida em que for escrevendo sobre o tema, também indicarei obras que considero como referência.


3 Comentários


  1. É uma pena que o coaching tenha se expandido tanto a ponto de ter no mercado tantas pessoas sem a devida formação. Os oportunistas estão distribuindo cartões com credencial de coach, mas muitos assistiram videos no youtube.

    Fala mais sobre esse mecanismo. Gosto bastante, conheço gente que mudou radicalmente de vida com o acompanhamento de um coach. Você também é coach?

    Responder

    1. Adriana, como qualquer atividade com baixa barreira de entrada, o coaching está sujeito à modismos e aventureiros. O que acaba ocorrendo é que o próprio mercado faz a peneira e os bons profissionais acabam tendo o devido reconhecimento. Na escolha de um profissional esteja atenta à sua formação, seu real conhecimento técnico e compromisso com a transformação de seus coachees.

      Respondendo sua pergunta: sim, eu também atuo como coaching. Se quiser trocar uma ideia mais detalhada sobre os processos, estou à sua disposição para conversarmos.

      Responder

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