Conta a lenda (e é mesmo uma lenda, pois a história possui várias versões) que em 1779 um operador de tear chamado Ned Ludd cumpria mais uma jornada de trabalho.

Lá pelas tantas, seu patrão solicitou que aumentasse a produtividade. Descontente, Ludd manifestou sua indignação e se recusou a trabalhar mais.

O patrão se queixou a um magistrado e Ned Ludd foi condenado ao açoitamento.

Sua reação? Pegar um martelo e destruir várias máquinas da fábrica. Ele não sabia, mas viraria uma figura histórica.

O folclore sobre o trabalhador que se revoltou contra as máquinas foi sendo transmitido ao longo do tempo. Em 1811, um artigo sobre Ludd foi publicado em um jornal inglês.

O artigo teria motivado um movimento de trabalhadores da região de Nottingham. Operários das fábricas de meias e rendas protestavam contra as mudanças resultantes da revolução industrial. Faziam isso destruindo teares mecânicos e outras máquinas da linha de produção como forma de frear o desemprego.

As máquinas estavam roubando o trabalho dos seres humanos e isso não era nada bom.

Os ludditas do século 21

Contei essa história, pois esse debate está presente em nossa sociedade atual. Pesquisadores, futuristas, políticos e empreendedores vêm debatendo seriamente a questão do desemprego tecnológico. Ainda que o termo não seja utilizado, suas preocupações são semelhantes a dos ludditas.

As revoluções pós-digitais irão automatizar os empregos e gerar uma massa de desempregados mundo afora?

Estudos do Fórum Econômico Mundial e pesquisadores como Jeremy Rifkin alertam para o risco de que as transformações atuais seriam inéditas em velocidade e magnitude.

Economistas como Guy Standing defendem a adoção da Renda Básica Universal (UBI na sigla em inglês) como forma de garantir a subsistência de boa parte da população mundial que terá seu trabalho automatizado por máquinas. Empresários como Elon Musk já apoiaram publicamente essa ideia. Musk declarou que “a adoção da ideia de renda básica universal se tornará necessária”.

Segundo essa corrente, a capacidade de gerarmos novos empregos será muito menor do que o crescimento populacional e a automatização de funções pelas novas tecnologias.

Por outro lado, há uma forte corrente de economistas, sobretudo os neoclássicos, que consideram essa proposição exagerada. Segundo esses, há motivos para nos mantermos otimistas. Uma olhada nos dados históricos nos diz que a automatização do trabalho sempre resultou em aumento de produtividade e da qualidade de vida da humanidade.

Alex Tabarrok já afirmou:

“Se a falácia luddita fosse verdadeira, todos já estariam sem trabalho, porque a automatização e a produtividade vêm aumentando durante dois séculos”.

Ou seja, a mentalidade luddita seria resistente aos fartos dados econômicos e históricos.

Na concepção dessa segunda corrente, novos paradigmas geram novas oportunidades e o mercado encontrará seus caminhos.

O tema é delicado e há muita coisa a ser dita. Pretendo trazer diferentes visões em novos artigos.

E você, o que pensa a respeito?