Para compreender as mudanças no universo do trabalho é fundamental assimilar que os pilares do modo de vida da sociedade industrial estão caindo por terra e sendo substituídos por um novo paradigma pós-digital. Transformação cuja velocidade acelera exponencialmente. 

Alguns estudiosos afirmam que a humanidade já passou por transformações tão abrangentes quanto a atual, outros dizem que nenhuma se compara a essa. O que podemos reconhecer é que essa é a mais veloz.

O universo do trabalho nos dá pistas visíveis da mudança de paradigma.

Antes de analisá-las, acho importante compreender os princípios que organizaram o mundo do trabalho na era industrial. Ou seja, nos últimos dois séculos.

Recorro a Alvin Toffler, um dos pensadores que melhor compreendeu e traduziu os caminhos que estamos percorrendo, para falar da organização do trabalho na sociedade industrial. No livro A terceira onda, Toffler sintetizou 6 princípios que condicionaram a estrutura da organização social e do trabalho na era industrial.

Vamos a eles.

1. Padronização

A lógica da sociedade industrial pressupõe a padronização dos produtos, dos processos, dos sistemas de distribuição, dos preços e – importantíssimo – dos gostos à serviço da produção em escala. Esse esforço organizado de padronização de preferências pessoais, tendo as mídias de massa como principal instrumento, permitiu o surgimento de empresas globais de bens de consumo. O esforço para padronizar predileções e senso estético explica que no vilarejo mais alto do Himalaia haverá alguém querendo uma Coca-Cola, e que na região mais isolada da Patagônia haverá alguém calçando um tênis Nike. 

2. Divisão do trabalho

As tarefas são especializadas e simplificadas com o objetivo de aumentar a produtividade do trabalhador. Tal qual máquinas e matérias-primas, os trabalhadores passaram a ser um elemento da linha de montagem, submetidos a processos definidos pela burocracia.

3. Sincronização

Os tempos de trabalho e de vida da mão-de-obra são sincronizados. Todos devem chegar pontualmente em um mesmo horário e trabalhar de forma coordenada e pré-definida. O empregado deve dividir as vinte e quatro horas do dia em três blocos de oito horas: oito horas para o trabalho, oito horas horas para o sono e oito horas para a vida privada. Períodos de férias também se concentram em épocas específicas do ano.

4. Economia de escala

A especialização do trabalho e dos produtos está a serviço da economia de escala. É a padronização que derruba os custos e habilita a produção em quantidades cada vez maiores. Faz sentido organizar mais trabalhadores em fábricas cada vez maiores. O mesmo raciocínio vale para escolas, hospitais e presídios. A lógica da economia de escala permeia as principais estruturas de convívio social.

5. Centralização

Você já ouviu a expressão “conhecimento é poder”? As informações sensíveis, o conhecimento relevante e o poder ficam restritos à cúpula das organizações no paradigma industrial. A distribuição das responsabilidades e dos benefícios percorre uma rígida distribuição hierárquica. Inspiradas pelo estado e pelas organizações militares, a empresa também assume a forma de pirâmide. 

6. Maximização

A sociedade industrial busca sempre maximizar a produtividade e a eficiência, perseguindo a otimização contínua da relação entre a quantidade de bens produzidos e a quantidade de recursos empregados para produzi-los.

Você pode até torcer o nariz para o que leu, mas convém lembrar que a lógica industrial resultou em níveis de desenvolvimento e de qualidade de vida inéditos.

Porque esse modelo está se transformando?

A sociedade pós-digital é mais receptiva à topografia das redes distribuídas. O avanço da computação e da internet comercial habilitou o surgimento de novas tecnologias, de outras formas de criar valor e de outras estruturas de organização social.

Está mudando porque passou a ser possível mudar.

 

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