Qual é o ponto fraco da empresa líder?

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A dinâmica da inovação é constante e implacável.

Já abordei em outro artigo a questão do dilema do inovador, conceito elaborado por Clayton Christensen, que inspirou todas as teorias sobre inovação publicadas posteriormente.

O dilema do inovador propõe que grandes empresas líderes de mercado costumam fracassar porque as mesmas práticas que permitiram que elas se tornassem líderes de seus setores também impõem as principais dificuldades para que elas desenvolvam as tecnologias disruptivas que acabarão por roubar seus mercados conquistados.

Mas e se invertermos a lente e olharmos para o mesmo fenômeno sob o ponto de vista da empresa desafiante?

Guy Kawasaki é uma espécie de guru do universo das startups. Fundou empresas, investiu em outras tantas e atuou em grandes corporações como Apple e Google. Hoje ele é evangelista-chefe da Canva, startup que busca popularizar o design. Ele lista três circunstâncias que tornam um líder de mercado vulnerável, portanto podem ser exploradas por empresas desafiantes.

Primeira circunstância: quando o líder está preso a um modelo de negócio.

Quando a IBM apostava exclusivamente na venda de mainframes (computadores de grande porte), a Apple teve o espaço inicial necessário para popularizar o computador pessoal. Anos mais tarde, outra empresa desafiou o modelo tradicional de vendas da IBM, fundamentado na ideia de revendedores autorizados. A Dell surgiu e se consolidou, apostando na venda direta ao consumidor final.

Segunda circunstância: quando os clientes do líder se tornam insatisfeitos.

Pense no quanto a experiência de ir a uma agência bancária pode ser traumática. Pense nas vezes em que você tentou contestar uma cobrança indevida em sua conta de celular.

Em muitos momentos, relação do cliente com a empresa líder de mercado se torna um transtorno ou se estabelece na base do “ainda sou cliente, porque preciso e não há opção”. No momento em que um desafiante de mercado passa a oferecer uma solução substituta, parte dos clientes irá migrar para a nova solução. O surgimento de fintechs como o Nubank e de aplicativos de mensagens instantâneas gratuitos como o WhatsApp são respostas claras aos exemplos citados (bancos tradicionais e operadoras de celular).

Terceira circunstância: quando o líder de mercado explora apenas suas “vacas leiteiras” – produtos estabelecidos, que geram lucro sem a necessidade de grandes investimentos – e deixa de inovar.

A Kodak atingiu a excelência no processo de popularização da fotografia analógica e não apostou no advento da fotografia digital. A Microsoft focou por anos nas melhorias incrementais do pacote Office e deu espaço para o surgimento do Google Docs e demais soluções profissionais do Google.

Sua empresa tem uma razão para existir, uma equipe e os primeiros clientes pagantes? Se sim, o exercício de mapear os líderes de setores afins e elaborar estratégias para derrotá-los pode resultar em bons insights para os próximos passos.

 




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