A produtividade dos times

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Ao longo de minha carreira tive a chance de trabalhar com equipes de todo tipo: grandes, pequenas, de perfil homogêneo, diversas, produtivas, criativas e outras nem tanto. Equipes com bom clima de trabalho e entrega e outras em que a mediocridade dava o tom (dessas últimas, sempre arrumei um jeito de sair na primeira oportunidade).

Nesse ambiente diverso que uma carreira em uma empresa grande proporciona, a questão do desempenho sempre me chamou a atenção. Sempre tentei entender quais fatores faziam determinado time ser mais produtivo e entregar mais resultados que outros. Há cerca de dois anos atrás, tive contato com um artigo do Professor Eugênio Mussak no qual ele sintetiza quais são os três fatores que influenciam a produtividade das equipes.

Quando o assunto é gestão de pessoas, não há receita de bolo nem opiniões absolutas. Dito isso, a visão de Mussak pode ser um bom parâmetro para gestores acerca de aspectos gerais que proporcionam um ambiente produtivo e orientado aos resultados.

Segundo o Professor, três elementos devem ser considerados quando o assunto é comportamento orientado ao desempenho. Vamos a eles:

1 – Capacitação

Nenhum profissional terá um desempenho ótimo se não souber fazer o trabalho. Por esse motivo, empresas investem cada vez mais em ambientes de treinamento próprios, universidades corporativas e parcerias com instituições de ensino. A complexidade e a velocidade das transformações no ambiente de negócios tornam esse tipo de ação indispensável.

Um ponto relevante que o autor reforça é que após um período de treinamento, o colaborador ainda não estará pronto. Por melhor e mais comprometido que ele seja, lhe faltará a prática e a experimentação. O “aprender fazendo” faz parte da capacitação e propiciar um ambiente receptivo ao exercício das novas competências é habilidade fundamental do gestor.

Fiz carreira em uma empresa cuja universidade corporativa é internacionalmente reconhecida e ao longo do tempo pude perceber isso na prática. A possibilidade de aplicar os conhecimentos adquiridos nos treinamentos é fundamental para que estes sejam incorporados ao dia-a-dia e se revertam nos benefícios esperados pela empresa. Treinar funcionários e não proporcionar a oportunidade de que os novos conhecimentos sejam colocados em prática é jogar dinheiro fora.

2 –  Motivação

Se a capacitação está ligada ao “saber fazer”, a motivação está ligada ao “querer fazer”. Em relação a esse ponto, Eugênio Mussak reforça a necessidade de levar em consideração a disposição psicológica que impulsiona as pessoas a entregar resultados e se aprimorar de forma crescente na hora de recrutar e a responsabilidade dos gestores em manter um ambiente de alta energia e desejo genuíno de fazer bem-feito.

Acrescento que um aspecto importante para que esse ambiente seja construído é trabalhar o senso de propósito e o significado das atividades desempenhadas. Por que nosso trabalho importa? De que forma o que fazemos contribui para a estratégia da empresa e para a sociedade?

3 – Integração

No já citado ambiente de negócios atual, caracterizado pela velocidade e complexidade, praticamente não há mais trabalhos feitos de maneira isolada. Mussak sintetiza que se uma pessoa não capacitada não sabe fazer o trabalho e a desmotivada não quer fazer, a não integrada simplesmente não consegue. Para o professor, não há equipe de verdade sem membros integrados, com bom nível de relacionamento e comunicação.

Vale reforçar que essa integração contempla também a integração com os valores e propósitos da empresa.

Minhas experiências profissionais me ensinaram que a integração genuína só acontece quando a visão de mundo complementar dos integrantes da equipe e o senso de propósito tomam a dianteira em relação aos demais aspectos. Esses dois ingredientes foram o fator predominante dos melhores trabalhos que realizei até o momento.




O artigo original que serviu como referência para esse post está no excelente livro Com Gente É Diferente

2 Comentários


  1. Muito legal, Kaio!

    Interessante observar que esses três fatores servem como um “tutorial” que dão suporte à estruturação de um time de trabalho, embora sabemos que “aprender na vivência e na prática” é o mais relevante de todos os aprendizados.

    Fiquei curioso em saber qual foi o tal do artigo do Prof. Eugênio Mussak que você leu há dois anos atrás e se já chegou a conversar diretamente com ele sobre esse tema. Parece um cara bem engajado nesse tipo de assunto .

    Abraços!

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    1. Faaaaala Seidel!!!!

      Pois é, acho que são aspectos gerais que podem ser adaptados à realidade de cada empresa.

      O Mussak é dos grandes pensadores sobre gestão de pessoas aqui no Brasil. Embora tenha lido e visto muito material dele já, não o conheço pessoalmente.

      Tomei contato com esse texto em um treinamento que fiz long time ago. Eu acho (quase certeza) que tem o artigo original nesse livro aqui: Com Gente É Diferente

      Vou tirar a prova dos 9 e te confirmo com certeza.

      Abraço e obrigado por acompanhar! É uma honra!

      Responder

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