O que é a quarta revolução industrial?

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Um dos termos mais propagados atualmente em eventos de negócios, na mídia especializada e nos estudos das principais consultorias de gestão é a quarta revolução industrial. Ela é o pano de fundo para qualquer debate sobre mercados e organizações atualmente.

Não se fala em outra coisa, mas você realmente sabe do que se trata? O que, de fato, muda com a quarta revolução? Se estamos na quarta, quais foram as três primeiras?

Este texto é uma tentativa de sintetizar essas questões.

Uma revolução pode ser caracterizada como uma transformação abrupta e radical na estrutura de uma sociedade em um curto espaço de tempo.

Para entender porque o contexto atual tem sido chamado de quarta revolução industrial, um bom ponto de partida conhecer as três primeiras. Vamos a elas.

O marco da primeira revolução industrial foi a invenção do motor a vapor e seus desdobramentos.

No período entre 1760 e 1820, parte da humanidade viveu uma transformação radical em sua forma de viver e de produzir. A máquina a vapor possibilitou a transição da força muscular para a força mecânica. Uma única máquina passou a fazer o trabalho de centenas de seres humanos ou animais.

A produção começou a ser organizada em fábricas e escoada por ferrovias, que permitiam que o excedente chegasse a mercados não explorados.

Motor a vapor

A segunda revolução industrial ocorreu entre o final do século XIX e o início do século XX. É caracterizada pela popularização do uso da eletricidade e pelo advento da linha de montagem. Ambas as transformações tornaram possível a produção em massa e a ascensão do consumismo.

Linha de montagem da Ford no início do século XX
A década de 1960 marcou o início da terceira revolução industrial, também chamada de revolução digital. A revolução digital foi estimulada pelo  desenvolvimento dos semicondutores e tem como principais marcos: o desenvolvimentos dos computadores mainframes (anos 1960); da computação pessoal (anos 1970 e 1980); e da internet (década de 1990).
Escritório nos anos 80

O que está acontecendo de diferente agora?

Todos nós somos capazes de perceber, em alguma medida, como o desenvolvimento tecnológico vem alterando radicalmente o nosso modo de viver.

Alguns acadêmicos consideram o que vem acontecendo como um desdobramento da terceira revolução industrial, contudo a ideia de que estamos vivendo uma nova revolução parece estar sendo cada vez mais aceita.

Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, pode ser apontado como o maior embaixador da ideia da quarta revolução industrial. Para Schwab, ela teve início nos primeiros anos do século XXI e, apesar de fundamentada na revolução digital, é caracterizada pela fusão de várias tecnologias (internet móvel e ubíqua, sensores menores e mais poderosos, inteligência artificial e aprendizagem de máquina), bem como pela interação entre os domínios físico, digital e biológico.

A fusão dos domínios físico, digital e biológico teria o potencial de mudar quem nós somos, e não apenas a forma como nós fazemos as coisas, em proporções inéditas.

Ainda de acordo com o fundador do Fórum Econômico Mundial, três razões distinguem a quarta revolução das anteriores: a velocidade exponencial das mudanças; a amplitude e profundidade sem precedentes; e o impacto sistêmico e global.

Robos e impressão 3D, a fábrica do futuro?

Na prática, estamos assistindo a ascensão de negócios e soluções baseadas em nano e biotecnologias, fabricação aditiva, customização em massa, automatização de processos a partir de inteligência artificial, etc.

Um alerta e um dos principais desafios de nossa sociedade para os próximos anos é fazer com que os benefícios dessa evolução tecnológica estejam disponíveis para todos. Dados divulgados pelo Banco Mundial em 2016 mostraram que cerca de 17% da população mundial não tinha acesso à eletricidade. Ou seja, não viviam plenamente as transformações da segunda revolução industrial. No mesmo período, a Organização das Nações Unidas apontava que 3,7 bilhões de pessoas, praticamente metade da população do planeta, ainda não tinha acesso à internet e não estava inserida no contexto da revolução digital.

Silvio Meira, um dos maiores especialistas brasileiros em tecnologia e cenários futuros, costuma dizer que, apesar de já sentirmos os impactos, ainda estamos nos primeiros capítulos dessa novela e desconhecemos o roteiro em sua totalidade. O desenvolvimento tecnológico, contudo, não é um movimento que se dá alheio à nossa vontade. O atual momento histórico é, acima de tudo, uma oportunidade para refletirmos sobre quais valores fundamentarão essa nova etapa da existência humana.

Que futuro nós queremos construir?

 




Dica de leitura: A Quarta Revolução Industrial

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