Dois fatores para uma rotina produtiva

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Minha rotina profissional mudou completamente nos últimos tempos. Ando vivendo as dores e as delícias de ser dono do meu próprio tempo. Se por um lado tem sido um prazer viver a possibilidade de planejar e executar 100% do meu dia de trabalho, por outro lado é muito fácil se perder em meio às distrações e atividades desnecessárias. Existem dois fatores que me ajudam muito a mitigar os riscos da perda de foco. Ambos influenciam positivamente minha produtividade e aumentam bastante meu prazer de trabalhar.

Uma atividade por vez

Há tempos sei que operar em modo multitarefa me deixa mais ansioso e diminui minha capacidade de entregar resultados, portanto organizar meu dia em blocos temáticos, com tempos de duração definidos para cada atividade, é o que funciona. Não sou rigoroso em relação ao tempo exato de cada atividade, porém tenho tentado estabelecer períodos que não superem 1:30h.  Se leva mais tempo para fazer é porque pode ser quebrado em mais de uma etapa. Sei que existem métodos que definem blocos de execução de até 1 hora, mas para mim funciona mais fazer a atividade do início ao fim do que me impor uma pausa forçada no meio do caminho. Por exemplo, se sento para escrever um artigo e isso levará mais que 1 hora, prefiro concluir a atividade à obrigação de uma pausa aleatória. Fora o prejuízo que é interromper e retomar o fluxo de um raciocínio.

Quando inicio uma tarefa, volto toda minha atenção para ela. Afirmo, racionalmente, a intenção de estar presente naquele momento e de não fazer nada além daquilo. Sem celular, sem conversas que não sejam relacionadas ao que está sendo feito, sem conferir as redes sociais. Não é fácil. É comum vir a sensação de que o mundo ao redor só pode estar me testando. Se as distrações se apresentam, paro, respiro, percebo o que está acontecendo e volto a estar presente no que está sendo feito. Frequentemente, repito mentalmente a frase “apenas faça o que você está fazendo”.

Aproveitar a oportunidade de estar plenamente envolvido com o que está sendo feito é o que funciona para mim. É assim que realmente consigo colocar intenção e expressar o melhor de mim em cada trabalho.

Pausas são fundamentais

Disse que não gosto de pausas aleatórias no meio de uma atividade, porém faço pausas de 10 a 15 min ao término de cada tarefa. A pausa não é um momento para pensar no que foi feito ou preparar a próxima atividade. É um momento para esvaziar a mente e reequilibrar as energias antes de iniciar a próxima ação.

Algumas vezes a pausa serve para o tradicional café, outras para movimentar o corpo e em outras ela funciona quase como uma mini meditação. O fundamental é: pausa é pausa.  Reforço esse ponto porque no ambiente corporativo é bem comum que elas sejam apenas uma continuação do trabalho ou uma distração em um momento inoportuno.

Ser humano não é máquina e respeitar essa condição é fundamental para obter o melhor desempenho. É preciso dar um tempo a si. Existe um caminhão de estudos científicos que comprovam que esses momentos são benéficos para a produtividade e para o processo criativo.

Se sua rotina de trabalho é caótica, os incêndios a serem apagados são constantes e existe sempre alguém para pedir “só um minutinho de atenção”, meu conselho é: desacelere, reorganize e dê um jeito de fazer acordos que preservem seu tempo e espaço individual para atingir o melhor desempenho.




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