Mais um ano começou? Você está mudando de carreira? Foi demitido? Está mudando de cidade? Seja lá qual for o motivo, um período de mudanças acaba sendo um período para dar uma pausa, refletir e colocar novas metas no papel (se você não tem o hábito de escrever suas metas, este artigo talvez não seja para você. Sugiro pôr seus planos no papel com calma e só então voltar à leitura).

Partindo do pressuposto de que você tem um plano de ação com objetivos definidos e está trabalhando para torná-los realidade, eu tenho uma pergunta: como você faz para mensurar sua caminhada em direção à realização das suas metas? Na minha recente trajetória como mentor, tenho visto três comportamentos negativos bem comuns.

O primeiro comportamento é o já mencionado: pessoas que não registram as suas metas por escrito e por isso tendem a ter um baixo nível de comprometimento em relação a elas.

Depois, há aquelas que escrevem as suas metas, mas não adotam nenhuma atitude posterior de acompanhamento e gestão dos próprios objetivos. A consequência desse comportamento é o esquecimento gradual dos compromissos que assumiram consigo mesmas. As metas ficam lá, escritas na agenda, no e-mail, num arquivo de Word e acabam se tornando uma vaga lembrança. O problema disso é o seguinte: planejamento sem ações posteriores é apenas desperdício de energia e autoenganação.

Existem ainda as pessoas que sucumbem às modas dos gurus de produtividade e começam a adotar todo tipo de ritual, de aplicativos, de métodos de gestão do tempo, etc. Como diriam os Titãs, “tudo ao mesmo tempo agora”. Resultado: uma overdose de informações; cansaço mental; perda de foco (por estarem mais preocupadas com os métodos de gerenciamento de produtividade do que em produzir e fazer o que tem de ser feito) e frustração por se acharem inferiores (“Se o guru e seus seguidores dizem que conseguem, talvez eu seja um perdedor por não conseguir…”).

Sei que aqui corro o risco de ser mal interpretado, então vou explicar melhor. O problema não são os aplicativos, nem as técnicas de gestão do tempo e da produtividade; o problema é o excesso disso na sua vida. Se você é como a maioria dos brasileiros e trabalha, estuda, cuida da família e corre atrás do seu lugar ao sol, é simplesmente impossível seguir todos os hacks ensinados por quem dedica 24 horas do dia a ensinar as tais sacadas matadoras. Particularmente, incluo alguma nova técnica de produtividade em minha rotina ou baixo um app específico quando preciso desenvolver um novo hábito. Quero voltar a correr: o Strava me ajuda. Quero meditar? Inside Timer, Headspace e outros podem se tornar grandes aliados. Quero ter contato com um novo idioma: Duolingo na veia! Esses são só alguns exemplos de ferramentas que podem facilitar muito o nosso dia a dia. O conselho é: vá devagar, não adote modelos inatingíveis, entenda as opções e escolha a que faz mais sentido para você em cada momento da sua vida. Não exagere só porque é moda.

O que eu faço?

Resolvi dividir aqui o que eu tenho feito nos últimos anos para gerenciar meus objetivos pessoais após perceber que existe um padrão. Veja bem, estou dividindo o que fez sentido para mim com o intuito de fomentar a troca de ideias e, quem sabe, provocar uma reflexão. O que eu faço não é regra, não é “o certo” e, em hipótese alguma, deve soar como conselho de guru. Apenas estou dividindo coisas que fizeram sentido para mim e, talvez, possam ter valor para mais alguém:

  1. Escrevo minhas metas em formato SMART (específico, mensurável, alcançável, relevante e temporal);
  2. Deixo-as disponíveis para consulta a qualquer momento. Atualmente, elas estão na agenda – sim, eu ainda gosto de agenda de papel – e nas notas do meu celular;
  3. Como já disse lá em cima, uso apps para gerenciar alguma mudança de hábito mais complexa ou com um nível mais crítico de urgência/prioridade. Escolho bem quais serão os aplicativos da vez e, quando eles deixam de fazer sentido, apago-os dos meus dispositivos;
  4. Adoto o pressuposto “tomar atitudes que me aproximem da concretização das minhas metas todos os dias”;
  5. Uso um sistema bem simples e rudimentar para o acompanhamento diário dessas atitudes, inspirado na prática do “caderno da gratidão”. Ok, sei que seu alarme para “bullshitagem” pode ter soado agora. Calma, que eu explico. A prática de escrever diariamente cerca de três coisas pelas quais você foi grato no seu dia não é uma falácia da web. Existem vários pesquisadores ligados à Psicologia Positiva que já conduziram estudos sobre o tema e comprovaram a eficácia desse hábito em mais de uma década de investigações empíricas. Entre eles podemos citar Shawn Achor, autor de O jeito Harvard de ser feliz, Chad Burton e Laura King. A prática se fundamenta na ideia de que o cérebro será forçado a rever as últimas 24 horas para identificar os elementos positivos. Com o tempo, os pequenos aborrecimentos e problemas cotidianos vão ficando em segundo plano, até se tornarem irrelevantes. O resultado é que a mente tende a focar nos aspectos positivos e a trabalhar constantemente em um nível de produtividade e felicidade mais elevado. Toda essa explicação foi para dizer que adaptei essa técnica e passei a focar as atitudes e os fatos que me colocam mais perto das minhas metas. Desse modo, além de aumentar meu nível de gratidão, reflito diariamente sobre como estou percorrendo minha jornada. A ferramenta para anotar não importa. Pode ser agenda, Word, Evernote, etc. Escolha aquilo que for mais prático para você e que não vire uma desculpa para não fazer. Atualmente, estou usando um bloco de notas de papel. Totalmente minimalista!
  6. Mensalmente, realizo um follow up para acompanhar e refletir de forma mais holística sobre os passos que venho dando. Esse é o momento de celebrar o que está dando certo, corrigir rotas e até mesmo alterar ou suprimir algum objetivo que por ventura não faça mais sentido.
  7. Procuro manter tudo simples. Um livro é escrito uma página por vez, uma maratona é corrida passo a passo.

Vale a ressalva: essas não são regras absolutas, são apenas aquelas que fazem sentido para mim neste momento. Seja lá quais forem os seus hábitos, seja generoso consigo mesmo (não se estresse em demasia com eventuais desvios) e nunca se esqueça de estar de olhos bem abertos e atento a cada passo da jornada. No fim das contas, o caminho é o que importa.

E você, o que faz? Eu adoraria saber. Quem sabe não descubro novas abordagens?

 

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