O sim institucional na Amazon

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Já disse e repito sempre, a Amazon é uma das empresas mais inovadoras da nossa época. É impressionante como a varejista vem reinventando constantemente seus processos, sua gestão e seu modelo de negócios. Dito isso, convém observar que a cultura organizacional na empresa está longe de ser uma cultura amena. O autor Brad Stone, que escreveu o excelente livro “A loja de tudo”, diz que as pessoas que se destacam na Amazon são aquelas capazes de trabalhar em um ambiente adverso e conflituoso. Jeff Bezos, fundador e CEO da empresa, costuma ser contra o impulso natural de buscar o consenso e prefere que os funcionários adotem uma postura de lutar por seus pontos de vista com base em números e em melhores estratégias para o cliente. A regra é discordar e desafiar pontos de vista consolidados.

Há outro aspecto na cultura organizacional da varejista que ajuda a explicar sua capacidade de inovar de forma consistente e ao longo de tantos anos. Um aspecto tão sutil quanto genial: o sim institucional.

Na Amazon, quando uma nova ideia ou projeto é apresentado, a resposta padrão deve ser sim. Ao adotar o sim como padrão, a cultura dos gestores passou a ser: “vamos fazer funcionar”, “por que não”? Se um superior não quiser aprovar a proposta, é ele quem tem que expor formalmente em um relatório as razões da não aprovação. Uma lógica oposta ao que vigora na maioria das empresas. Nelas, quem tem que se esforçar para provar que a ideia é boa é quem está propondo. Com essa medida, a Amazon subverteu a lógica dos processos decisórios tradicionais e aumentou o custo de se dizer não. Segundo Jeff Bezos, os piores erros já cometidos na trajetória da companhia foram por omissão e não por ação. Uma postura gerencial que favorece novas iniciativas, contribui para manter o ciclo virtuoso da inovação.

Há também a visão de longo prazo, que permeia toda a estratégia da empresa, permitindo uma maior tolerância com o tempo de maturação dessas iniciativas. Nesse sentido, o viés passa a ser o de maximizar o número de novas experiências.

Bezos já declarou à Harvard Business Review: “o que constatei é que – e isso é uma observação empírica, não vejo motivo para que seja necessariamente assim, mas tende a ser – quando plantamos uma semente, a tendência é que leve de cinco a sete anos para esse germe registrar impacto considerável nos resultados da empresa”.

Manter um ambiente de experimentação é um desafio especialmente difícil para grandes organizações. O sim institucional da Amazon resulta em um sólido otimismo empreendedor e em uma cultura organizacional sintonizada à principal diretriz estratégica da empresa: o foco absoluto no cliente.

Cultura, quando adequada ao propósito, é fonte de grande vantagem competitiva. Que mais e mais empresas aprendam a dizer mais sins do que nãos e se abram verdadeiramente ao novo.




Link para o artigo da Harvard Business Review

Link para o excelente livro do Brad Stone: A Loja De Tudo. Jeff Bezos E A Era Da Amazon

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