Visões sobre propósito

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Gosto muito de uma frase do Aristóteles, que lá na Grécia antiga já dizia: “na intersecção dos seus talentos únicos com a necessidade do mundo, encontra-se a sua vocação.” Cito um filósofo grego para reforçar que essa coisa de se preocupar com propósito e com o motivo pelo qual fazemos o que fazemos é algo inerente ao ser humano e uma preocupação bem mais antiga do que qualquer modismo do universo da gestão e da autoajuda. Ao contrário, deve ser encarada como essencial para indivíduos e organizações.

O dicionário Larousse define propósito como “deliberação, resolução, decisão”. Uma rápida busca no Google me retorna o seguinte resultado: “aquilo que se busca alcançar, objetivo, finalidade, intuito”.

Tempos atrás, o craque Luciano Pires falou sobre propósito em seu Podcast, o Café Brasil, e utilizou como definição o “sentido que você dá para a própria vida”. O propósito é o que te guiará ao longo da existência. Envolve, portanto, autonomia, desejo de se autodirigir. Na percepção de Luciano, um propósito não surge do nada. Ao contrário, requer experiência, vivência, repertório e muito autoconhecimento. O cara fala com a propriedade de quem descobriu o seu próprio propósito aos 47 anos, após trabalhar por 30 em uma multinacional.

No campo empresarial, Rony Meisler, fundador e CEO da marca de roupas Reserva, costuma declarar em entrevistas que nenhum negócio nasce com propósito. Na visão dele, o propósito emerge com o tempo. Para ilustrar sua fala, cita o exemplo da empresa que criou. Se hoje a Reserva declara que seu propósito é “dar afeto às pessoas” por meio da moda e da experiência de consumo, Rony é taxativo ao dizer que esse entendimento foi se cristalizando ao longo do tempo. O empresário traça um paralelo com um processo de psicoterapia, onde o paciente só começa a encontrar as respostas que procura após anos de sessões regulares. Este é, inclusive, seu conselho para os novos empreendedores: não tente definir um propósito na largada, empreenda e o propósito de sua empresa irá se consolidar com o tempo.

Já o embaixador e cofundador da Singularity University, Salim Ismail, introduz em seu livro Organizações Exponenciais o conceito de Propósito Transformador Massivo (PTM) como um ponto comum entre as organizações que sonham grande e que, de fato, pretendem impactar o mundo. Diferentemente das declarações de missão assépticas das organizações tradicionais, um PTM reflete o propósito central e ambicioso da empresa. Trazendo para uma visão mais prática, eu diria que a missão está muito mais ligada a “o que” uma pessoa ou organização faz. Já o “propósito” está bem mais ligado ao “porquê” essa pessoa ou organização faz as coisas. É por isso que declarações cheias de termos genéricos e que não querem dizer muita coisa ficam lá penduradas nas paredes das empresas sem engajar ninguém. Por meio do PTM uma organização exponencial busca capturar corações, mentes, imaginações e ambições das pessoas de dentro e de fora da organização em prol do impacto que ela deseja causar no mundo. Ismail é taxativo ao afirmar que o PTM é um dos elementos que diferencia as organizações adaptadas aos mercados exponenciais daquelas que ainda estão raciocinando de forma linear e baseada nos paradigmas da sociedade industrial.

Ao analisar a declaração de propósito da própria Singularity University – “impactar positivamente 1 bilhão de pessoas” – é possível comprovar  que um Propósito Transformador Massivo orienta a cultura e as ações da empresa em direção a sua real aspiração.

Outros exemplo de PTM: o Google quer organizar a informação do mundo; o TED tem como PTM, ideias que merecem ser espalhadas; já a Tesla busca acelerar o advento do transporte sustentável.

Não há ficar indiferente ao propósito transformador massivo de uma organização exponencial. Qualquer funcionário ou candidato a funcionário de uma dessas organizações sabe claramente o que deve guiar suas ações. Qualquer consumidor ou fornecedor, também sabe o que esperar.

E você, tem pensado sobre o tema? Qual é mesmo seu propósito?




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