Estude, tire boas notas, entre em uma boa faculdade (preferencialmente em um curso tradicional, como Direito, Medicina e Engenharia), passe em um bom concurso ou arrume um bom emprego, faça uma pós-graduação, financie um apartamento, forme uma família e, enfim, curta a vida na aposentadoria.

Um roteiro como esse guia o plano de vida do trabalhador da sociedade industrial. É a receita de bolo que tem moldado o conceito de sucesso nos últimos 150 anos; o plano de vida de nossos bisavós, avós e pais e, por isso mesmo, o que frequentemente se sonha para um filho. As etapas ali descritas estão tão arraigadas no jeito de pensar e de agir da maioria das pessoas que conhecemos, que podem ser descritas como os componentes do que se conhece como zona de conforto. Basta seguir essa trajetória para receber a admiração de quase todos aqueles com os quais você se relaciona.

Aparentemente está tudo certo, mas há um problema. Na verdade, não é um problema, é um fato. Um fato que subverte toda a lógica da era industrial.

Na década de 1990, a internet se tornou comercial e, num curtíssimo espaço de tempo, todo o planeta se conectou. O smartphone que você carrega no bolso é muitas vezes mais poderoso que os computadores que levaram o homem à lua. Ou seja, vivemos a mais rápida mudança de era pela qual a humanidade já passou. Sai a era industrial, entra a era digital. Mas não é só isso. Grandes futuristas, como Ray Kurzweil, reiteram os constantes sinais de efemeridade da era digital e propagam a aurora das revoluções pós-digitais (na visão de Ray, são três: genética, nanotecnologia e robótica).

Sempre que reflito sobre isso, lembro-me de um conceito, tão lindo quanto simples, que Seth Godin utiliza em seu livro A ilusão de Ícaro.

O autor diz que as pessoas passam a vida tentando coordenar sua zona de segurança com sua zona de conforto. Nesse movimento, tendem a pressupor que o que as deixa à vontade também as deixa seguras. Ocorre que há uma mudança de paradigma em curso. Nosso modo de viver está se alterando radicalmente em um espaço de tempo menor do que levou qualquer outra revolução pela qual a humanidade já passou e, geralmente, menor do que nossa capacidade de assimilar a transformação. O resultado? Nossa zona de segurança mudou, mas nossa zona de conforto não. Em outras palavras, se sua ideia é esperar a crise passar e as coisas voltarem ao normal, esqueça! Há um novo “normal”, e sua resistência à transformação e apego aos valores descritos no primeiro parágrafo não ajudam a lidar com ele.

Existe uma nova zona de segurança, mas ela está em um lugar que não é nada confortável para a maioria de nós. Segundo Seth Godin, a nova zona de segurança é onde a arte, a inovação, a destruição e o renascimento contínuo acontecem, aquele lugar onde a única coisa constante é a mudança (alô, Heráclito!), mas uma mudança que ocorre em velocidade nunca antes experimentada.

Reconhecer que a zona de segurança do mundo está na adaptação constante e acelerada pode ser um bom primeiro passo para reconsiderar sua zona de conforto.

 

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