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Tive uma conversa significativa com um dos meus mentores poucas semanas antes de deixar o mundo corporativo. A trajetória de vida dele era parecida com a minha, ele também tinha deixado o mercado financeiro para trabalhar com educação.

Mostrei meus planos, projeções financeiras e metas. Após receber um elogio por ter pensado nessas coisas, ele me disse algo fundamental. 

“Está tudo bem planejado e você encontrará seus caminhos como empreendedor, mas eu tenho duas certezas: essa reserva financeira vai acabar antes do que você imagina e a maior parte das suas metas vai acontecer de um jeito totalmente diferente do que você projetou. E isso não é necessariamente ruim, pois muitas outras possibilidades se abrirão. Fique atento”. 

Nem preciso dizer que ele acertou na mosca.

Estamos em janeiro e você provavelmente já estabeleceu e começou a trabalhar nas suas metas para o novo ano.

Em que pese o otimismo que caracteriza todo início de ciclo, o cenário mais provável é que você terá de lidar com eventos inesperados e decepções no caminho até a realização dos seus objetivos.

Nada pessoal, é só a vida acontecendo.

Planejar e fazer o que precisa ser feito não é suficiente. Até mesmo o mais determinado e consistente entre os seres humanos enfrentará os reveses da vida.

Uma demissão, a traição de um sócio, dívidas, a perda de um ente querido, um diagnóstico de doença, etc.

A verdade é que pouquíssimos de nós refletimos e nos preparamos para os problemas que poderão (e irão) acontecer.

Não quero soar pessimista, meu intuito é reforçar a importância de desenvolvermos recursos internos e externos que nos preparem para as decepções.

Proponho um exercício – que conheci através de Bob Bowman, técnico de Michael Phelps, o maior atleta olímpico de todos os tempos – e que pode ajudar nessa reflexão.

De olhos fechados, em posição confortável, imagine uma situação que o deixe empolgado e traga grande contentamento. Pode ser um novo emprego, uma viagem em família, um momento especial com os filhos. Escolha uma imagem significativa para você, que seja divertida e interessante.

Feito isso, agora imagine que subitamente tirem esse sonho de você. Como você reage? Qual a primeira providência a ser tomada? O que você fará em seguida? E depois? Para quem você irá telefonar? Quem poderá te ajudar a lidar com o novo contexto?

Entendeu o espírito da coisa?

Agora deixa eu te dar uma sugestão pessoal: repita o mesmo exercício com cada uma das metas que você escolheu realizar em 2020.

Pense nas respostas possíveis. Registre-as. Elas serão um importante norte e o início dos seus planos de contingência.

Nós, os seres humanos, queremos segurança e alimentamos a ilusão de que estamos no controle de tudo. Não é gostoso pensar no que pode dar errado. 

Exercitar nossa capacidade de enfrentar os problemas, por outro lado, pode ajudar em nosso processo de amadurecimento e na forma como reagimos às adversidades.